Show
U2 360º PDF Imprimir E-mail
Avaliação do Usuário: / 2
19 de abril de 2011

Image por Sandro Baggio

Assistir a um show do U2 é uma experiência inesquecível. Não se trata apenas da música ao vivo, mas da energia contagiante de 90 mil pessoas que agitam, dançam e cantam em uníssono durante mais de 2 horas. Exatamente uma semana atrás, nesta hora, eu estava saindo do estádio Morumbi após mais uma dessas experiências, desta vez com minha esposa e filha (primeiro grande show assistido por ela).

Minha primeira impressão ao entrar no estádio naquela tarde foi a visão monumental de “A Garra” (apelido do palco criado para a turnê 360º). Eu esperava algo grande, mas não estava preparado para a monstruosidade do que vi. O topo da torre no centro do palco podia ser avistado até mesmo de fora do estádio. E, melhor ainda, os efeitos, a iluminação e o som não decepcionaram.

Muse, a banda de abertura, entrou pontualmente às 20h para um show rápido, debaixo de uma insistente garoa. Foi interessante ver a reação do público, a maioria não familiarizado com a banda, que parecia espantado com a qualidade musical e o peso apresentado por Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard. Como também sou fã de Muse, curti bastante o show.

Às 21h40 em ponto as luzes do estádio se apagaram, Space Oddity de David Bowie começou a tocar e mandou o recado para o público que entrava em delírio ao ver a imagem dos quatro músicos caminhando em direção ao palco sendo mostrada na gigante tela 360º (algo que eu podia ver de onde estava sem ter que olhar para a tela): “Check the ignition and may God’s love be with you.”

Com a banda no palco, a primeira música foi Even Better Than The Real Thing, segunda faixa daquele que eu considero o melhor álbum da banda, Achtung Baby. Em seguida vieram I Will Follow e Get On Your Boots, músicas para a galera dançar. What time is it in the world? foi pergunta que Bono fez (e repetiu muitas vezes durante o show) para introduzir Magnificent, possivelmente a faixa mais explicitamente cristã de todo repertório do U2. A galera cantou junto com Bono, que parecia estar, de fato, adorando Àquele a quem ele diz que nasceu para oferecer sua voz. Momento particularmente emocionante para mim.

Em seguida Mysterious Ways, outra faixa de Achtung Baby (ao todo foram quatro faixas deste disco) colocou a galera para dançar novamente e o clima continuou alto com Elevation, Until the End of the World e I Still Haven’t Found What I’m Looking For, oferecida a Julian Lennon, presente no Morumbi no dia de seu aniversário. Bono chegou até a conduzir o público a cantar Happy Birthday to You para Julian.

Stuck In A Moment, dedicada a Michael Hutchence, diminuiu o ritmo só por uns minutos, uma vez que Beautiful Day colocou todo mundo no alto de novo. Mesmo as canções mais lentas como In A Little While e Miss Sarajevo não diminuiram o ânimo do público que voltou a dançar com Vertigo, I Will Go Crazy e Sunday Blood Sunday (cuja introdução foi dedicada aos movimentos de revolução política contra ditaduras nos países do Norte da África e Oriente Médio).

Bono apresentou Walk On falando sobre a libertação de Aung San Suu Kyi e agradeceu aos fãs do U2 que junto com a Anistia Internacional desempenharam uma parte no processo de tornar a causa de Suu Kyi conhecida. Neste momento, lembrei que o U2 vem usando música com consciência política há quase 30 anos, colocando em seus encartes os endereços da Anistia Internacional e Greenpeace e incentivando seus fãs a se unirem a estas organizações. Ou seja, ninguém faz isso durante tanto tempo se não estiver convicto do que está fazendo. Não se trata meramente de estratégia de marketing para vender CDs, mas da consciência expressa por cada um dos membros da banda de que eles se sentem responsáveis pelo privilégio que sua arte lhes proporcionou. Prova desta consciência é a ONG ONE, fundada por Bono para combater a pobreza extrema.

One foi anunciada com o clip do Arcebispo Anglicano sul-africano Desmond Tutu, lembrando que juntos podemos fazer grandes coisas e, com amor, trabalharmos para construir um mundo Where the Streets Have No Name. Nada mais apropriado do que Bono ter cantado Help dos Beatles entre estas duas canções. Afinal, ajuda é o que ele mais tem pedido aos governantes das nações ricas na luta contra a pobreza endêmica, AIDs e malária nos países africanos. É impossível ouvir estas canções, apesar de tão conhecidas, e não ficar emocionado, sonhando com o Dia quando todos viverão como um onde as ruas não têm nome.

As músicas finais do show foram Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me, With or Without You e Moment of Surrender, esta última sendo a canção escolhida para fechar todos os shows da turnê 360º até aqui. Curioso é que estas três últimas músicas falam sobre entrega. Que horas são no mundo? pergunta o Bono. Este é o momento da entrega, parece ser sua resposta.

Como disse, show do U2 é uma experiência inesquecível. O que não é tão legal é todo o esforço necessário para ver U2 ao vivo, desde o malabarismo para compra do ingresso, ao tempo dedicado para chegar cedo e conseguir um bom lugar, o assalto para estacionar o carro nas imediações do estádio, da demora para sair após o show e o trânsito caótico na volta. Tudo isso me faz pensar que talvez eu esteja ficando um pouco velho para este tipo de coisa. Mas para ver U2, vale a pena!

Sandro Baggio, casado, pai, seguidor de Jesus Cristo, chamado para servir como pastor-missionário, ocasionalmente tradutor e intérprete, escritor, leitor compulsivo, fã do U2 e membro do Projeto 242. Autor dos livros "Música Cristã Contemporânea" e "Intelectualidade Cristã em Crise".

 

 

*** Gostou do artigo? Então, RECOMENDE para um amigo. Não gostou? Indique para um inimigo! CLIQUE AQUI. ***

Última Atualização ( 19 de abril de 2011 )
 
<< Início < Anterior 1 2 Próximo > Fim >>

Resultados 4 - 5 de 5