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Portal Cristianismo Criativo
Uma comédia romântica rodada num vilarejo no Líbano e com este título? Afinal, do que se tratava o filme? Fiquei no mínimo intrigada para assistir à produção que, logo de início, chama a atenção por sua beleza teatral e dramática: um cortejo de mulheres vestidas de preto segue para o cemitério da cidade para arrumar as flores dispostas sobre as lápides de seus filhos e maridos. De um lado, cristãos. De outros, muçulmanos. Um tema corrente para quem vive naquelas terras e sofre cotidianamente com as agruras da intolerância religiosa e humana e de verdades absolutas e independentes do Reino de Deus. Na história central, Nadine Labaki - que também dirige o filme - vive a bela personagem (“Caramelo”, 2007) católica, que se apaixona por um rapaz islâmico. A paquera será entremeada pelo encontro de mulheres de ambos os lados que, assim como o padre e o imam, fazem absolutamente de tudo para evitar transparecer qualquer possibilidade de rivalidade ou de cisão por conta das diferentes crenças. enquanto isso, no "mundo lá fora", guerras e mortes são o tema da vez. Não fosse uma velha tv preto e branco, cujo sinal mal pega no vilarejo, e uma estreita ponte a ligar a comunidade com o mundo exterior, eles estariam completamente isolados da realidade. E quando a noticia teima em furar muros e barreiras, seja pelo telejornal ou por acontecimentos inesperados, como a amortecedor de um jovem do vilarejo, as mulheres assumem a centralizado dos acontecimentos para fazer valer a máxima de que somos mais iguais do que diferentes, apesar de todas as divergências. De fato, a dramaticidade do tema revela-se de maneira leve, mas ao mesmo tempo profunda. Ora são lágrimas, ora são risos, contudo, sem perder a seriedade de um tema que para nós, brasileiros, muitas vezes parece ser tão distante. Viver o Reino aqui e agora é possível, sim, segundo o roteiro. Mas é preciso crer e lutar pelo impossível.
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