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por Judith de Almeida
Fui assistir a este filme mais pela vontade de ver a atuação dos protagonistas do que por qualquer outra referência sobre o filme. Nada assisti do diretor e confesso que fiquei surpresa que o filme não tivesse ganho nenhum Globo de Ouro, embora tenha sido indicado em 5 categorias. Vamos ver como ele se sai no Oscar, cuja cerimônia será dia 22 de fevereiro. O enredo, baseado num conto de Scott Fitzgerald, mostra a trajetória de um homem que nasce com uma aparência – e todas as debilidades – de uma pessoa de 80 anos. Sua mãe morre no parto, seu pai entra em desespero com tamanho descalabro e o abandona na porta de uma casa que ampara idosos. Ambientado na New Orleans do final da Primeira Guerra, a trama chega até os dias do furacão Katrina que devastou a cidade. Mas antes disso, a enfermeira Queenie, papel muito bem interpretado pela desconhecida Taraji P. Henson, não se deixa intimidar pela aparência do bebê deixado em sua porta, o adota e o cria com amor e desvelo, não o tratando a partir da estranheza, mas fazendo-o sentir-se igual frente aos demais moradores da casa: idoso, com artitre, calvície e debilidades variadas. No ambiente protegido da casa Benajamin, assim batizado pela mãe adotiva, conhece a menina Daisy (papel Elle Fanning na infância de Cate Blanchett quando adulta). A empatia entre eles é imediata, apesar das diferenças e se transforma num amor que vai entrar vida adentro de ambos. E na vida de ambos entra, também, a guerra, a carreira da bailarina Daisy, as mortes, os titubeios e os desencontros típicos dos amantes. E, como se trata de um caso, sim, bem curioso, à medida que as pessoas que contam na vida de Benjamin – ah, papel de Brad Pitt – envelhecem, ele rejuvenesce fazendo as distâncias ficarem cada vez mais evidentes e incômodas. Os 166 minutos de duração mostram as idas e as vindas do personagem mas, para mim, foi nos últimos 10 minutos que o filme mostrou enorme emoção. O diretor dá uma guinada em termos de ritmo e emoção. Não que o filme me cansasse. Ao contrário. Nem olhei no relógio. Mas o ápice do filme acontece no final, supreeendente e emocionante, que vou omitir para não estragar a surpresa de quem for ver. Maquiagem e fotografia merecem menção. Cate Blanchett parece tanto uma adolescente, quanto uma jovem de 20 anos e dá um show no papel da idosa que narra a história para a filha, papel de Julia Ormond. Blanchett e Pitt merecem Oscar nos seus papéis. As várias tramas do enredo nos fazem pensar se o cronos faz, realmente, alguma diferença entre as pessoas, se existe tempo certo para amar alguém, começar um projeto, pedir perdão, recomeçar uma história, reatar laços, confessar um pecado do passado, enfim, viver a vida sem os obstáculos que geralmente colocamos na nossa caminhada. Judith de Almeida é paulistana, mãe da Myrna e Rachel, responsável pela comercialização dos títulos da Thomas Nelson Brasil e membro do Conselho Editorial da W4 Editora. Frequenta a Comunidade de Jesus, em Campo Belo. p.s. devo confessar que quando Brad Pitt aparece de Brad Pitt na tela, o elenco feminino suspira, tamanha a beleza do moço! p.p.s. ah, apesar de tom meio bizarro, gostaria de freqüentar uma igreja de negros como aquela que aparece no filme. Aquele fervor, aquela alegria e aquela busca me encantam
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