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Por Volney Faustini
– Foi você quem pintou? - pergunta o órfão rebelde, personagem de Matt Damon, em O Gênio Indomável, ao observar o quadro de um barquinho sendo praticamente tragado pelas grandes ondas, em meio ao alto mar. – Não, eu só colori, seguindo as cores pelos números – responde ironicamente Robin Williams, no papel de seu psicólogo. Está lá um marinheiro a remar, desesperadamente lutando contra as intempéries do tempo. O menino observa e, numa fração de segundos, sua prodigiosa inteligência mais uma vez lhe dá momentânea superioridade, que permite a inversão dos papéis, para fazer uma análise de seu mentor: – Este é você desesperado tentando, em vão, encontrar um porto seguro para se atracar. Perdido e inconformado com as injustiças da vida. Como é possível ao observador extrair, de uma simples e singela pintura, um enredo que vai além do flagrante instantâneo? Olhar uma figura estática e imaginar o seu arredor e ver o antes e o depois? A minha resposta é a mais simples e direta possível: o artista é um contador de histórias. Hoje me sinto um pouco mais artista, pois comemoro mais de 400 postagens no meu blog pessoal. Esse é o número de histórias – a maioria de minha própria safra - histórias que se direcionam para uma história maior. A História! O grande ato de arte de Deus, a nossa redenção. Outro dia li que Deus é Criador por ser igualmente Artista, pois gera beleza e sentido no mundo e nas coisas que Ele colocou aqui. Mas creio também que em cada singela obra de sua criação há uma história. E todas essas histórias vão culminar numa história maior. A criatividade deve ser exercitada por cada um de nós, por meio dos diferentes dons e talentos que recebemos de Deus. Nosso desafio é o de fazermos parte da grande orquestra de contadores de histórias. Alimentamos nossos enredos e percepções na intimidade com o Mestre. E, daí, podemos expressá-los em diferentes formas e meios. Uma escultura conta uma história tão bem quanto um quadro, uma música, uma fotografia ou um livro. Uma encenação, uma dança, uma performance – são igualmente histórias. E neste mundo repleto de recursos eletrônicos, a lista se torna quase infinita. Shakespeare, Dostoievski, Rembrandt, Bach e tantos outros grandes gênios do mundo realizaram suas obras de maneira peculiar e única – mas sempre contando uma história. Quando em Hebreus lemos que Jesus era homem da descendência de Abraão, e por isso convinha que fosse semelhante aos irmãos, significa que na sua vida e nos seus ensinamentos temos o todo a ser aprendido para nos transformarmos em verdadeiros artistas. E Ele mesmo se utilizou do maravilhoso meio das parábolas para, das histórias menores, apontar a história maior. Amanhã, na primeira oportunidade dada por Deus, prepare a sua obra criativa e venha contar mais um pouco da história que Ele nos deu. E assim ajude a transformar a si, o seu meio, sua igreja e o mundo. Volney Faustini – Autor, blogueiro e consultor de empresas com foco em Inovação e Tecnologia. Foi o editor da Revista Kerigma, tendo atuado em diferentes ministérios de alcance nacional. Atualmente, congrega na Igreja Batista da Água Branca.
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