Que fim levou o Sagrado? (ou a minha experiência na Expo Cristã 2008) PDF Imprimir E-mail
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14 de julho de 2008

Imagepor Gerson Borges 

Texto gera texto, pensamento leva a pensamento. Uma coisa puxa outra. Resenhas, por exemplo, me convidam às vezes a orar e compor (ou escrever aqui no Cristianismo Criativo). Por exemplo, acabei de ler uma entrevista com o escritor catarinense Deonísio da Silva, que recentemente lançou seu sétimo romance, Goethe e Barrabás, pela Editora Novo Século. Sujeito muito interessante o Deonísio. Além de escritor, professor universitário, é ex-seminarista católico e autor de mais de trinta obras, como Mulher silenciosa (1981), A cidade dos padres (1986), Teresa (1997) e Os guerreiros do campo (2000), além de estudos sobre etimologia, como De onde vêm as palavras (1997).

Bom, apresentado o dito cujo, ouçamos o que ele diz (em entrevista dada a Luciano Trigo, no Portal G1):

       A principal carência do mundo hoje é de recolhimento, de meditação. Igrejas e templos foram transformados em outra coisa, em silos, depósitos. Onde você busca a transcendência? Nos templos e igrejas? Muito raro que lá você sinta isso. No cinema e no teatro, na leitura, nos museus… Mas nas igrejas? Acho que não".

Caramba, sô, que pedrada! Que fim levou o sagrado? Onde foi parar a transcendência? Se isso é fato no ambiente católico, o que dizer dos nossos encontros evangélicos movidos a adrenalina (pseudo) religiosa pura? Não cabe silêncio, nem cânticos de lamento (metade dos Salmos) ou confissão de pecado, depois de um sermão ou desafio. Não se preocupa mais com o conteúdo litúrgico (que quer dizer apenas "o que fazer e cantar durante o culto ", mas com a necessidade de agradar ao consumidor cristão... aliás, esse é o nome de uma revista dirigida ao mercado gospel, a gente que, como eu – preciso admitir – produz música para as igrejas e circula por elas cantando, falando etc.

Hipocrisias descartadas, já que estou no meio dessa canjica, fui à ultima edição da Expo Cristã dirigir um tempo de louvor no lançamento de e uma nova Bíblia (Almeida 21, Editora Vida Nova) e, depois desse evento importante, dei uma circulada na feira e confesso que saí meio tonto, vesgo, enjoado, triste e... cansado de tanto lixo (literalmente, no chão) e nas vitrines (metaforicamente falando). Não foi exatamente o excesso de informação, mas de deformação que me deixou nauseado: livros de auto-ajuda travestidos de "vida cristã ", quinquilharias "gospel" de todo tipo e espécie, desde adesivos para o pára-brisa do carro ("Se é crente, buzine! ", "Ora que melhora!") até bugigangas mais exóticas como ...ah, deixa pra lá! A Bienal no Livro, semanas antes, foi bem mais edificante! Havia mais transcendência por lá!

Creio que é a minha ingenuidade morena que me decepciona! Se é raro e árdua tarefa achar silêncios convidativos nos templos (!) evangélicos, períodos de louvor contemplativos nos cultos evangélicos, sermões que me sejam mais que a) promoção/contabilização de culpa (falsa e verdadeira), b) sociologização/psicologização rasa das Escrituras (como, amigos pastores, a gente cai fácil fácil nessa!), o que eu poderia esperar de uma " feira para o consumidor cristão"?

Brian MacLaren, um teólogo tido como "herege e danoso  por muitos nas fronteiras mais conservadoras - para não dizer fundamentalistas - postou um vídeo no You Tube no qual ataca profeticamente isso que a gente costuma chamar de "indústria do louvor ".  Tremi quando o ouvi falando no perigo de transformarmos o tal Líder de Louvor em um mero manipulador de auditório (que espera, anseia, busca ser manipulado). "Arte e propaganda são coisas bem distintas". O que chamamos de arte cristã, em geral, é mera ferramenta de auto-promoção e marketing pessoal!

Um dia ouvi o Dr. James Houston chamar Billy Graham de "cristianismo pop". Não entendi. Não gostei, de cara. "Billy Graham não é Jimmy Swaggart", eu pensei. Depois, escarafunchando a fala profética e filosófica dessa homem de Deus - contemporâneo de C.S.Lewis e Tolkien, em Oxford, fundador do Regent College, no Canadá - concluí algo meio óbvio: se o Papa é pop, cantaram os Engenheiros do Havaí, Billy Graham idem! Os dois, nas suas abordagens de massa, andam no fio da navalha, na tênue linha do íntegro e do manipulativo, como eu mesmo, confesso. Que perigo cair para o lado roto da bagaceira! É como se os evangélicos estivessem imitando (resgatando) o que há de melhor da tradição cristã do catolicismo. Na minha opinião, o movimento monástico, a Mística, os Pais e Doutores da Igreja – e os católicos (os irmãos carismáticos, sobretudo)  se encantando com nosso pior: "Vamos tirar o pé do chão, irmãos!"

A culpa não é minha. Falem mal do Deonísio da Silva e sua mania de me provocar. Eu não sei onde foi parar o sagrado, bolas!

Gerson Borges é um carioca-paulista, pastor-músico, flamenguista-são paulino,
que não sabe mais se é pop ou litúrgico, mas morre de fome de Deus,
de silêncios, de espaços verdes e de amizades longas.

Comentários
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Jonatas Sousa  - O fracasso da igreja     |189.94.204.162 |27-09-2008 19:04:05
A igreja é uma instituição que está fadada ao fracasso. Não creio mais na igreja da forma como ela está: pastores se comportando mais como políticos do que como servos disponíveis nas mãos de Deus.
Qual o propósito da igreja afinal?
A vaidade e a as forças do mercado estão se incorporando na igreja de forma sutil para ninguém perceber o versículo "Não ameis o mundo, nem o que no mundo
há." Ser crente está virando moda!
Deve ser uma espécie de conforto: não quero abrir mão de meus planos para seguir os planos de Deus, então me identifico com amuletos que me fazem cristãos
(cito - adesivos, camisetas e as outras quinquilharias).
Me sinto mais na igreja quando visito amigos e chegamos a conclusões sobre algum texto bíblico.
Gerson   |24.62.89.53 |28-09-2008 01:28:56
Caro Jonatas, obrigado por escrever!

vc diz coisas bem corretas e outras que eu te convidaria a re-pensar, mano. A Igreja-intitucional , da forma que a coisa anda, de fato tem perdido credibilida
mesmo, mas a Igreja Invisível (que se expressa ,por incrível que pareça, na igreja visivel, é linda, maravilhosa, amada de Deus e de gente como eu, pastor por vocação e paixão! Não desista da igreja,
querido. Se desistir, desista de falsos projetos de igreja, de seguir falso líderes messiânicos. Goste de quando vc diz " A vaidade e a as forças do mercado estão se incorporando na igreja de
forma sutil ". Infelizmente isso é verdade! Mas ainda há gente Boa, verdadeiramente interessada em servir a Deus servindo às pessoas. Sim, há muito sincretismo e supertição dissimulada,
assimilada, disfarça no nosso meio (amuletos etc ) mas também há verdadeira espiritualidade. Vc, por exemplo, me dá alento e esperança... o ponto é que sempre foi assim: Joio no meio do trigo, fariseu
ao lado de gente que bate no peito e diz " Tem misericórdia de mim, Senhor, pois eu sou pecador! "

Amigos reunidos lendo a Bíblia e orando, sim, isso é igreja, mas a igreja é mais que
koinonia, é kerigma ( proclamação ), didaquê ( ensino ), liturgia ( adoração )e diakonia ( serviçõ ). EU amo a igreja de Jesus, mesmo com todas essas feúras que a gente vê e denuncia! Eu não apenas
amo, mas PRECISO da igreja, a grande, a dos grupos pequenos...igreja-família, igreja-comunidade, igreja-expressão do Reino de Deus!

Gostei demais do seu comentário.

Abração,

Gerson Borges
Eliézer Santos  - Inversão de papeis   |201.23.49.87 |28-09-2008 19:04:57
Caro Gérson:

Sua análise sobre a questão é lúcida, e por demais conhecida ou percebida por aqueles que levam Deus a sério.
Há algum tempo, conversando com o Pr. Carlos Bregantim disse-lhe o mesmo
que você assevera: os católicos carismáticos ao invés de copiar o pouco de bom que resta na dinâmica evangélica, vem assimilar o que de pior temos.
O interesse de alguns cristãos evangélicos em
estudar a vida dos pais da igreja e seus ensinos é uma "pérola de grande valor" para os dias de hoje. O mais recente trabalho do Jorge Carmargo, Somos Um, entendo ser um marco nesse caminho de
resgatarmos a essência de sermos de Jesus. Começando pela queda da barreira preconceituosa de produções "católicas" no meio evangélico.
Hoje fiquei sabendo que você estará conosco no Caminho
da Graça em São Paulo. Estarei lá para ouvi-lo.
Grande abraço !
Anônimo   |76.24.135.86 |30-09-2008 12:26:25
Obrigado por escrever, caro Eliezer.

Sim, o trabalho do querido Jorge Camargo é mesmo um primor.

Há todo um movimento de recuperação dos Pais da Igreja e da ( boa ) influência do Monacetismo e da
Espiritualidade Clássica na igreja evangélica : escritores como Richard Foster, Ricardo Barbosa, Dallas Willard, Osmar Ludovico e iniciativais como o Renovaré , Taizé, entre outros, resgatam uma
tradição importante e perdida nos nossos meios protestantes-evangelicais : a vida devocional, práticas como oração contemplativa, silêncio, solitude, retiros, jejum, entre outros.

Sim, a gente vai se
ver em breve!

Abração,

Gerson
Judith  - Concordo     |189.20.47.26 |29-09-2008 16:50:53
Gerson,

E porque meu irmão, uma editora promove um evento "importante", nas tuas palavras, num lugar como a Expo Cristã?

Tempo de louvor naquele ambiente?
Puxa, me custa crer!

Será
que, no limite, usando as palavras sábias do Dr. Houston, nos tornamos TODOS pops?

Judith
Gerson   |76.24.135.86 |30-09-2008 12:40:10
Querida Judith, obrigado por escrever/comentar!

Me perdoe se minhas palavras sugeriram algum tom pretencioso ou ou presunçoso de superioridade intelectual ( não é o caso ) ou especial relevância (
idem ) da minha parte...

Sim, o evento foi importante pois trata-se de uma excelente versão das Escrituras - é a Bíblia!

Sim, um tempo de louvor ...no auditório no qual o evento aconteceu, não nos
" palcos principais ".

...

Como procurei deixar claro no meu pequeno texto, falo de dentro, assumo a contradição, critico a mim mesmo. A editora precisa mesmo estar nesse evento que, em
si, não é nem mal nem bom, nem céu nem inferno. O evento é para servir à igreja, a todos nós. Minha crítica considera a grande maioria dos produtos oferecidos: inutilidades, banalidades, bobagens
religiosas sem sentido , sem lógica!
Não critico o ato de comer, critico o Fast Food ...

Sim, todos somos pop, todos temos sido , conscientemente ou não , dançado a dança da Cultura popular, que ,
por sua vez, faz o 1-2-3 do Mercado, da lógica do lucro. Para mim, ser pop significa fechar com a estrutura dominante, mainstream, como eles dizem, com a maioria. O Nelson Rodrigues costumava dizer
que " a unanimidade é burra". Ou seja, ser pop significa ser meio preguiçoso e indolente, consumir o que a TV, a WEB, as Vejas/Istoé da vida - a Grande Mídia, vendem como REALIDADE.

Sim,
querida, todos somos pop. Dançamos.

Um abraço e agradeço a gentileza das tuas ÓTIMAS QUESTÕES,

Gerson
Judith     |189.20.47.26 |30-09-2008 23:29:21
Gerson,
Obrigada pela forma gentil que me respondes! Sérgio Franco, presbítero da Comunidade de Jesus, que frequento, costuma dizer que os neo-pentecostais tomaram a igreja evangélica de assalto e os
que não dançaram conforme a música deles ficaram acuados num canto esperando ver este "fenônemo" passar para ver no que ia dar. E lá se vão 20 anos ou mais que tem uma turma acuada lá no canto
e, a sensação que dá, é que eles estão se cansando de esperar e, então, alguns ou muitos, saem pra dançar um pouco com os demais. Este jeito meio metafórico de falar é para tentar não ferir tanto as
suscetibilidades que surgem quando se fala deste assunto... E esta é minha sensação: em princípio, não gostamos - você e eu, permita-me! - daquele fast-food, dos penduricalhos, daqueles espetáculos
meio deprimentes, do escancaramento do jeito de querer ganhar dinheiro com temas relacionados ao Sagrado mas... vai que aquele jeito de se fazer negócios que dá certo e eu vou ficar de fora? Então, eu
vou lá com minha roupinha bonitinha e tento não me parecer com os vendedores de badulaques gospéis. Será que dá? Será que alguém, por Deus, "percebe" esta diferença que se tenta fazer? Receio
que NÃO! Melhor assumir o caráter mercantilista da Feira e entrar no clima do que tentar parecer "importante", "relevante" etc. Pemita-me, como diria o Vicente Matheus, falecido
presidente do Corinthians: quem está na chuva... é pra se queimar!
Volney Faustini  - Um ponto pra se pensar   |01-10-2008 08:40:38
Querido Gerson,
Estive lá com vc - só fui pr'aquela noite. Consigo separar, sem ao mesmo tempo me sentir co-responsável, cumplice mesmo, pois não tem como olhar pros nossos irmãozinhos (há muita
exceção - digo de convertidos) e pensar: "Tá ai o Corpo de Cristo".

Com o assunto Noiva de lado, são duas coisas que me chamou atenção na sua reflexão e creio que temos muito a construir.
Há a questão do consumismo e do se voltar para o mercado. Este é um ponto.

E há também o que vc levantou, com um trocadilho fora de série: o Billy Graham é pop, o Papa é pop, nós todos somos POP!
Ou seja - na minha ótica - taí mais um ponto: agradar a todos e ser popular. Mais um pecado em minha coleção ... ;)
André Santos  - Concordo em partes...   |200.183.128.42 |01-10-2008 10:51:02
Pr.Gerson,
Primeiro, ... parabéns pela excelencia como escreve.
...
A palavra de Deus... nos diz; que "dos que estao na cama... um vai e outro fica".
Portanto,... o
"mercantilismo" exacerbado de boa parte das empresas cristãs demonstram o que podemos esperar da real situação em que convivemos...
Só nao concordo quanto a sua opcao; (o qual eh escolha
pessoal); e nao me cabe aqui modifica-lá; mas me enoja muito mais ver livros... de autores badalados pela grande mídia;... que dizem que meu Deus morreu. Enormes stands apregoando livros de péssimo
conteúdo sim,... sao de péssimo conteúdo; apesar de capas lindas,...e de bom mkt. Da famosa bienal, nao se extrai nem 10% de conteúdo qualitativo; de acordo com o que cremos...
Continue a escrever, e
me perdoe minha singela "intromissao"...
No amor de Cristo
Andre Santos
Whaner Endo     |189.102.97.54 |01-10-2008 13:49:13
Faaaaaala, André.
Long time no see... Acho que a última vez que te vi foi numa das primeiras reuniões de diretoria da Asec do meu último período... ;-)

Bom, mas quanto ao seu comentário: só não
concordo com a sua discordância. Hehehe...
Cara, quase cai da cadeira quando li a sua afirmação de que na Bienal do Livro, que segundo dizem é o terceiro maior evento literário mundial (perdendo
apenas para Frankfurt e a BEA), existe apenas 10% de conteúdo qualitativo. E ainda mais, vindo de um editor???? Bicho, acho que entendi errado...
Só por que não fala de Deus um livro deixa de ser
bom? E os livros que nossas editoras têm publicado que muitas vezes falam de um Deus que não existe? Será que não são mais prejudiciais?
Quanto a Expo-Cristã, estou tranqüilo, pois em todo tempo que
estive na Asec fui uma das poucas vozes discordantes sobre a relação da feira com o mercado. Pra mim, depois que ela deixou de dar ênfase à literatura, ela perdeu a importância para o nosso
segmento.
O público que vai à feira não está atrás de livros e sim de autógrafos das celebridades (a maioria CSL). Tanto é que esse ano, quando muitas gravadoras deixaram de ir, diminuíndo a área de
exposição para quase metade, o público foi menor, a não ser que a gente acredite nos 144 mil escolhidos...
Outra coisa, a feira perdeu o sentido a hora que quase acabou com as vendas do 2o semestre.
Dois meses antes, o pessoal começa a reduzir as compras e dois meses depois não compra, pois se entupiu de fundo de catálogo, vendido à preço de banana...
E o pior, embora algumas editoras faturem
bem, lucro que é bom é quase zero, pois a venda é mais cara (custo do chão, montagem, equipe, material vendido), com descontos maiores e prazo a perder de vista, pois a inadimplência aumenta pra
dedéu, como você mesmo sabe (é só trocar o seu boné de editor para o de livreiro)... Além disso, grande parte das vendas iriam ocorrer normalmente no escritório se não fosse a feira...
O evento está
passando pela mesma crise que os demais do ramo: não sabe se é cultural ou business. Se o desejo dos organizadores é de ser cultural, então a ênfase deve ser na programação, com estandes básicos,
lançamentos importantes, muito debate (embora hoje em dia, tem muito líder querendo evitar a todo custo, qualquer tipo de debate). Se é business, o formato também tem de ser diferente. Se é pra vender
outro formato... O que não dá é pra ficar desse jeito, quer dizer, pra mim até dá, pois a W4 Editora, por princípios está fora desse jogo.
Cara, na pesquisa para a dissertação do meu mestrado eu vi a
importância dos livros cristãos e do apoio dado pela Igreja, desde os primórdios da sua história brasileira, ao desenvolvimento do hábito de leitura. É uma pena que muitos de nós, editores, ainda não
conseguimos decidir se queremos ser relevantes ou milionários, embora exista uma ínfima possibilidade das duas coisas acontecerem juntas... 8-)
Bom, por enquanto é isso.
Cara, obrigado pela sua
disposição em comentar o texto e, juntos pensarmos em caminhos para as relações entre os cristãos e a literatura.
Aguardo sua tréplica!
Julio Ometto  - anlisando tudo isso     |200.100.178.4 |01-10-2008 11:32:49
Estive pensando em seu comentário e li o dialogo entre você e alguns leitores, fico meio aturdidos com a maneira como todos se parecem se comportar, sem saber o que fazer, se entram na chuva ou ficam
apenas olhando a enxurrada passar, uma coisa tenho por certo, assim como disse Andre Santos, existem coisas banais, mas muito para se aproveitar e o que seria de nós que cremos ter algo de bom a
oferecer se ali não estivermos, pois em meio a tanta mediocridade a sempre alguém buscando coisas boas em uma livraria evangélica e se não estivermos lá para oferecer para o livreiro? Bem que o Senhor
conceda sabedoria a seu povo para conseguir separar o vil do santo e de sabedoria a homens como você que tem nas mãos a massa e possa mostrar a eles o que é sagrado e o que é vil, e que o sagrado não
se contamina andando no mundo, diferente de se amalgamar com o mundo tornando-se um com ele, um abraço.Com a graça do Senhor.
Julio Ometto
Matheus Vieira     |200.228.76.80 |09-10-2008 00:42:16
Muito boa a ilustração, e claro o texto. Tenho pensado muito acerca de todo esse circo que a gente convive! Da minha conversão de criança até agora em meu início de juventude, tenho notado muitas
diferenças que me deixam tristes, principalmente os enfoques dados a umas coisas que não são prioridades, e a relativização do que é realmente importante.

Um abraço
Carlos Seino  - O protestantismo exagerou quan     |189.102.239.186 |09-10-2008 23:49:34
É a pergunta que me faço, as vezes. Retiramos as velas, os incensos, os vitrais, as vestes litúrgicas, as esculturas, os ícones, os quadros, sob a desculpa de que, ou aquilo era crendice, ou que tudo
era sagrado, logo, não poderíamos ter espaços sagrados. Mas como um pastor meu amigo me disse, "se tudo é sagrado, nada é sagrado". O protestantismo "desmistificou" o mundo. O mundo
não conheceu secularização tão radical como a que ocorreu nos países "protestantizados". Achávamos que estávamos fazendo uma coisa boa quando viramos o sacerdote para o povo, mas alguns bispos
ortodoxos (profeticamente?) disseram que estávamos "antropocentrizando" o culto quando fizemos isso. Retirado o sagrado, tudo o que sobrou foi agradar ao consumidor. Exageramos? Talvez
precisemos repensar o nosso modo de ser, nosso ethos, tudo...
Fábio Fernando  - Sacro... sagrado... sacramenta     |189.25.42.227 |04-12-2008 23:18:41
Olá mano! Vivemos a graça ainda na lei. Paulo deve se revirar no túmulo todos os dias!... Na lei, tudo que estava no templo era sagrado porque o Eterno estava lá em sua manifestação de glória. Se
profanos tocassem o santo, "dessantificado" ficava. Jesus morreu para que o homem voltasse a ser o templo, como Adão, no início, antes do pecado. Se é assim, o sagrado está em nós, habita em
nós. Em seu "Último Discurso", trecho do filme "O grande ditador", Chaplin (ou seu personagem) cita as palavras do Mestre: "(...)No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito
que o Reino de Deus está dentro do homem" (...). Chaplin descobriu o que muitos líderes até hoje desconhecem. Judaísmo misturado com paganismo e nada de cristianismo é o que temos visto
ultimamente. Mas vale a pena nos lembrar das palavras finais do fantástico "Ultimo Discurso" e perceber a analogia que existe com o pseudo cristianismo unida à mensagem de esperança àqueles
que ainda crêem no Reino: "É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém
escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o
progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se
dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do
homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"
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Última Atualização ( 25 de outubro de 2008 )
 
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