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por Carol Gualberto
"As leis da vida são as mesmas leis da dança... A inconsciência é que gera a mediocridade" (K. Vianna). É assim que começo o livro o qual tive a oportunidade de publicar no fim de 2007 ("Dança: o que estamos dançando? – por uma nova dança na igreja", editora Hagnos). Citando um gênio da dança – Klauss Vianna – procuro esclarecer que é a falta de consciência que produz uma vida medíocre. Regra de vida, regra da dança. Se não temos consciência do que fazemos, escolhemos e até, paradoxalmente, pensamos, resultamos em seres medíocres. Se não temos consciência do que estamos dançando, produzimos uma dança medíocre. Antes, porém, creio ser necessário que eu esclareça o que quero dizer com as palavras "inconsciência" e "medíocre". Com "inconsciência" digo não apenas da falta de conhecimento (significado tão utilizado para tal palavra), mas da não-aplicabilidade do que se conhece. Consciente, ao meu ver, é quem percebe, conhece, sabe, mas não pára por aí. Segue aplicando suas percepções e saberes nos mais diversos âmbitos de sua vida. Não basta saber; é preciso também agir. Portanto, se "consciência" é igual à soma de conhecimento mais ação, "inconsciência" pressupõe o não-conhecimento ou ainda o conhecimento sem a ação. Por "mediocridade" recorro ao Michaelis, que traz algumas sugestões de significado que muito colaboram com a nossa reflexão. Ao dizer "medíocre", pode-se entender algo que está entre o pequeno e o grande. Ou ainda algo que tem pouco valor (bem interessante essa possibilidade, não?). E, por fim, algo ordinário ou sofrível (não poucos casos vêm à minha mente que exemplificam bem – ou mal? – esse último conceito). No que tange à dança no meio evangélico, acredito que as três sugestões de significado se complementam e a palavra terá diferentes forças, a depender do contexto ao qual se aplica. Esclarecimentos à parte, ao fazer o caminho inverso, se o que vemos é uma dança medíocre, pode-se ter como uma das conclusões de causa a inconsciência plena do que se dança. Se parto desse pressuposto, logo consigo identificar onde está a inconsciência. Posso encontrá-la, a priori, na falta de conhecimento, de saberes propriamente ditos. De forma geral, quem "mexe" com dança nas igrejas mal faz uma aula técnica! Seria demais, portanto, esperar que soubessem um pouco da história da dança ou que tivessem contato com o que tem sido produzido em dança no Brasil e no mundo... ou ainda conhecessem o bastante para promoverem pesquisas e reflexões na igreja e a partir dela. Encontro-a também na opção por não se aplicar o que se sabe. É bem verdade que há muitos cristãos evangélicos que "sabem" da dança, a "conhecem", têm contato com boas escolas e centros de pesquisa, têm sempre à mão inúmeras possibilidades de crescimento (mas é mais "gostoso" ficar sentadinho na acomodação confortável de "fazer o de sempre" e permanecer fechado nos quatro cantos da igreja), vivem até no meio acadêmico (o que sugere uma constante reflexão, pesquisa e crescimento em maturidade) e dançam como se nada disso pudesse ser somado à sua "dança cristã". Por fim, os resultados são, em ambos os casos, uma dança mediana, sem valor ou relevância, quiçá sofrível! É bom ressaltar a minha solidariedade para com os que não possuem conhecimento pelo simples contexto em que vivem. Quando lembro de oficinas que ministrei em igrejas pequeníssimas, em áreas rurais ou cidades com pouco acesso às "ofertas" dos centros urbanos, meu coração se alegra só de saber que aquelas pessoas procuraram conhecer, mesmo que tudo pudesse justificar uma dança "pequena". Por outro lado, confesso uma absoluta impaciência quando vejo danças medíocres por pura "falta de vontade" de crescer! Ou porque essas danças, como todas as produções medíocres no Brasil, vendem mais, têm mais apelo popular, são facilmente absorvidas pela massa ao não desafiá-la à reflexão. A coisa piora quando se alega que toda essa produção tem autoria do Espírito Santo. Nos dizeres do grande Gedeon Alencar, "aceita a 'inspiração divina', quem é que vai se responsabilizar pela mediocridade?" (p. 79, Protestantismo Tupiniquim, Arte Editorial) da falta de técnica, das formas, da falta de relevância? Exemplos de danças assim, tenho vários e que vou deixar para citar em um outro momento. Por hoje, fico apenas com a sabedoria do mestre Klauss Vianna, com a alegria em ver espaços como esse portal, com a ansiedade pela realização do II Fórum Nacional de Cristianismo Criativo (cujo tema é "Viciados em Mediocridade"?) e contando com a misericórdia de Deus – pra que eu nunca seja encontrada acomodada em minha pequenez. Carol Gualberto é mestre em Literatura pela PUC-MG, especialista em Dança Contemporânea pela UFBA, bacharel e licenciada em Dança pela Unicamp. Mora em BH, é coreógrafa da UFMG e obreira da MPC Brasil (Mocidade Para Cristo)
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