Sobre artistas e loucos PDF Imprimir E-mail
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24 de agosto de 2009

Imagepor Gérson Borges

Tenho uma fobia, um pânico - e eu preciso confessar de vez, admitir, ficar livre (ou tentar, ao menos): tenho medo de ficar louco, medo da loucura de artista. Você não sabia?

De Baudelaire e suas "Flores do Mal" aos desvarios coloridos de tinta de Pollock, da efervescência alucinada dos concertos e da vida de Mozart à depressão e ao alcoolismo de Lima Barreto, dos sons revolucionários da Stratocaster distorcida e deliciosamente insana de Hendrix ao suicídio de Ernest Hemingway e Kurt Cobain há uma marca, um traço comum nessa linhagem de gênios da pintura, literatura, teatro, música – todos foram meio ou muito loucos, todos perderam um parafuso na Vida da arte ou faltou-lhes um parafuso na Arte da vida.

É preciso ser mesmo meio biruta pra criar coisas como a 9a Sinfonia (Beethoven), o "Guardador de Rebanhos "(Fernando Pessoa), "Kind of Blue" (Miles Davis), "Grande Sertão: Veredas" (Guimarães Rosa), "Tempos Modernos" (Chaplin) e "Em busca do tempo perdido" (Proust). É até meio simples de se pensar: um ser humano comum e medíocre tem mais o que fazer – carimbar papéis na firma, cozinhar o feijão, levar o filho pra escola, coisas assim, prosaicas, rotineiras, nada empolgantes.

Quando assisti ao filme "As horas", na estupenda interpretação de Nicole Kidman (piradinha da silva, essa talentosa figura – veja o botox) para a escritora inglesa Virgínia Woolf (doida varrida, por sua vez), tive a mesma sensação de angústia e temor, apesar da beleza do filme, que me sobreveio com Bird, uma formidável biografio de Charlie Parker (pinel total), do sempre surpreente Clint Eastwood: que doideira!

Sempre que leio a biografia de um músico, de um artista (li recentemente "Travessia", sobre Milton e o Clube da Esquina e "Gonzaguinha, Gonzagão", sobre pai e filho), não obstante o exercício pastoral e espiritual e a fruição estética deliciosa da leitura, tenho alguma azia ou incômoda insônia. “Será que essa sombra cobrirá a minha cabeça?", pergunto-me no meio da madrugada, hora em que a fobia ataca. “Deus, que eu seja medíocre e morra de velho! Que eu veja os filhos dos meus filhos e nada de manicônios, sanatórios e asilos do tipo Retiro dos artistas. Não, Senhor, por favor, não e não!"

Agora o pastor falando: há pelo menos três areas nas quais o artista se perde e revela sua dificuldade em lidar com a realidade (marca de humanidade caída, eu sei, mas amplificada da situação do surto).

A primeira é a coisa da grana. Os caras se perdem com a força do dinheiro. Dinheiro, diz Richard Foster, "não deve sem ser adorado nem desprezado. Dinheiro é um poder, traz consigo luz e sombra". Jesus chegou a dar um caráter pessoal ao Dinheiro ao chamá-lo de Mamon, uma entidade, um deus. O artista endividado, fazendo de manhã pra comer à noite, é um clássico.

Outro item nessa descrição – que é minha, pode ser que você não concorde, e se você é um artista banal, com certeza discordará – é o uso do tempo. Conhece algum músico (acima da média, gente, eu tô falando dos gênios) que cumpra horários, arranjadores que não percam o deadline, atores com o texto pronto três meses antes da estreia, escritores que durmam oito horas por noite (a propósito, comecei esse texto antes das seis da matina…), gente que não olhe pro relógio, agenda e calendário com certo ódio?

Chamar o artista de indolente, de indisciplinado, de preguiçoso é um clichê tão gasto que vou ficar na minha, mas que Kronos o devora, devora. “Vida, louca vida", já cantava o Lobão (100% Gadernal esse), “vida breve/Já que eu não posso te levar/Quero que você me leve”. Ah, sim, você lembrou de Zeca Pagodinho, um estranho nesse ninho – agora já foi: "Deixo a vida me levar/Vida leva eu". Administração de grana, de tempo, isso não é coisa para os gênios da criação!

E para que minha lista não fique ou cínica ou eivada de (falso) moralismo, caro leitor (agora soou meio Machado de Assis, o bruxo/louco-mor das nossas Letras), melhor fechá-la falando da imensa dificuldade que o artista tem de cuidar de si mesmo, sua saúde bio-psíquico-espiritual, da sua família… Aliás, quando um deles casa e descasa em menos de três meses, a gente diz logo “Coisa de artista! Casamento de artista é assim mesmo") Elis é um (anti) exemplo nesse item: vendo outro dia o DVD "Ensaio" com a fabulosa baixinha, nossa inigualável intérprete, a maior, fiquei meio triste ao constatar que a grande cantora não conseguir segurar a onda da mãe: ser cantora assim, nesse nível, é quase desistir de ser mãe. Poucas conseguem. As exigências da rotina são demais pra uma cabeça só. Não foi do nada e à toa tanta droga, triste mesmo o fim da querida Elis numa overdose…

Eu estive numa conferência sobre Henri Nouwen, na Universidade de Toronto, e assisti a uma palestra sobre "A espiritualidade de Vincent van Gogh", tema de um curso que Nouwen dera em Harvard, inclusive. A conferencista, ex-aluna de Nouwen, encheu meu coração e emoção e os meus olhos de muitas lágrimas com a narrativa da busca do pintor holandês em ser: ser gente, ser artista, ser pastor. Van Gogh era um gênio. Não conseguiu amarrar as três coisas. Desistiu. Surtou.

A loucura é uma defesa. Quando a realidade é pesada, a arte. Quando é pesada demais, a loucura. Tem gente que junta as duas saídas numa só. Van Gogh teria dito: "já que não pude pregar o evangelho, vou pintar o evangelho”. Bem, apesar de amar profundamente sua obra e respeitar igualmente sua vida, prefiro pregar.

Aliás, preciso terminar: tenho de ajudar minha mulher com os meninos, bater o cartão no Gabinete Pastoral, lidar com a preparação do Culto de Domingo. Ih, lembrei de contas a pagar ainda hoje e que estou na escala de fazer o café da manhã. Se me dão licença… Como faz vários dias que não pego no violão, um a mais me fará assim tanta falta?

 

Gérson Borges é muito doido: tenta ser a um só tempo pastor, poeta e educador.
Veja o tamanho do seu desvario artístico no seu novo CD, "Nordestinamente".

Comentários
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Gisele Mendonça  - A loucura é uma defesa...     |200.99.5.179 |25-08-2009 12:16:52
GB, não surte!

"A loucura é uma defesa.
Quando a realidade é pesada, a arte.
Quando é pesada demais, a loucura."

Gostei, mas sabe que deu medo...

Beijão!
Gerson  - Valeu, Gi...     |200.161.61.18 |25-08-2009 14:10:54
Valeu, Gi, então vamos enfrentar o medo junto, pois vc é muito TALENTOSA, MENINDA, BEIJO,

GB
Kenny  - Ufa!   |200.199.82.194 |25-08-2009 12:25:09
Gersão, Gersão... que bom te ler e lembrar-me que sou normal.

Brigado, querido,
Kenny
Gerson  - Sim, normais como todos os out     |200.161.61.18 |25-08-2009 14:12:10
Sim, normais como todos os outros...doidos,

Saúde e paz, querido,

Gerson
Cerestino  - desabafo     |189.24.32.145 |25-08-2009 17:53:36
Sinceramente odeio textos como esse.

Sempre discordei veementemente de todos eles, e de todos que pregam tal filosofia, e agora fico num dilema: Amo os seus textos, Gerson. Não esperava isso de vc!
rsrsrs

c tá ficando doido?!

kkk


Mas enfim, o motivo do meu desgosto é a óbvia constatação, para ter grande na arte é necessário a miséria na grana, na família, na vida própria, na saúde....

sei
lá...

o Chico Buarque é.... normal né não?

=]

abraço!
Gerson  - Não fique bravo, querido...     |200.161.61.18 |26-08-2009 18:25:01
Não fique bravo, querido, aliás, muito obrigado por escrever. Gostei muito do seu post !

Bem, vamos lá:

1. Quando a gente odeia textos é por que ou falam algumas verdades que recusamos ouvir, ou são
chatos/mal-escritos, ou são mentirosos. Qual das três ? Me parece que é a terceira, certo? Mas não tem filosofia nenhuma, mano, é uma meditação do meu coração de pastor/sobre um fato :
artists,sobretudo, os grandes, são gente diferente, sensível, fora da curva. Não há nada de impírico no meu texto, não fui científicoi nem nada, só falei...de mim e de gente que conheco e admiro muito
!

2. Não, não estou ficando doido - eu sou meio doido, vc não é? rsrsrs

3.Essa afirmação , "para ter grande na arte é necessário a miséria na grana, na família, na vida própria, na saúde...
"não está no meu texto - ela é sua, mano ! Tem um monte de artistas que lidam bem com as coisas citadas etc etc, mas não nega a minha apreensão e experiência como pastor de alguns deles, na minha
comunidade e at large...

4. Leia a(s) biografia(s) do Chico e deduza por vc mesmo.

Enfim, falei de mim :>)


2.
Cerestino  - acho que é a primeira, rs     |189.24.149.61 |26-08-2009 20:19:43
Acho que o motivo do odiar foi a primeira.

Talvez pela minha momentânea explosão me expressei mal,
gostei do seu texto, de verdade! está me fazendo refletir
até agora. O lance é que, o que me vem a
mente quando ouço esses tipos d afirmações é o que expressei no lance da miséria

rsrs

acho que foi meio medo do diagnóstico...
mas, por um lado acho que foi bom para eu me vigiar mais
quanto às
minhas loucuras...

Na verdade tenho estado a um tempo [angustiante, diga-se de passagem] de um silencio criativo.

E o que constatei foi que isso se deveu a eu estar querendo
"entender
demais" o que estou fazendo e não ficando livre
para fazer minha arte, mesmo que ela saia ruim. E lendo o livro Culpa e Graça de Paul Tournier [lélé da cuca] verifiquei que estou fazendo isso por
me preocupar
com o que os outros dirão das minhas músicas.....

Mas to me recuperando e quebrando o silêncio das minhas letras...

E foi quando li seu texto... rsrsrsrs me deu um medão, na hora!!!
kkkk

mas acho que a loucura pode ser controlada [eu disse pode, bem suposicional mesmo] para se fazer uma arte louca mesmo!

louca d boa, pq sei q vc não é muito fã [como eu] dessa arte
moderna!

então é isso, Gérson. Muito obrigado pelo texto maravilhouco!

=]
Gersonn  - Estamos nos entendendo :>)     |200.161.61.18 |27-08-2009 15:13:53
Estamos nos entendendo, querido! Noutras palavras , estou certo e estou errado; vc está errado e está certo. Meus texto não é a Bíblia, é uma crônica-desabafo, uma meditação, um coração aberto.
Entendo o seu medo , ou eu acho que entendo.\

O que nos cura, como sempre, artistas ou não, é o amor.

Tudo de bom , saúde e paz,

Gerson

##
Cerestino  - pois é     |189.24.188.126 |27-08-2009 20:54:51
Pois é Gerson...

Foi bom ter conversado com vc!

Big Abraço.
Cerestino  - Biografia     |189.24.36.178 |28-08-2009 16:40:23
Gerson, vc [ou qualquer um que saiba] poderia me indicar uma

biografia do chico?

Fiquei interessado.

ou se já leu, dizer o título, editora e tal...?
Gerson  - Biografias do Chico Buarque     |189.54.148.43 |15-09-2009 09:24:36
Vamos lá, anote aí:

1. Tantas palavras ( Cia das Letras : é , na verdade, uma compilação das letras de todos os CDs do Chico até hoje , " desde "Tem mais samba" (1964), que ele considera
o marco zero de sua carreira, até o recente cd Carioca (2006). Também faz parte do livro uma extensa reportagem biográfica, escrita pelo jornalista Humberto Werneck a partir de pesquisas e de
entrevistas feitas com o próprio Chico e com personagens como Tom Jobim, Edu Lobo, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ampliado em mais de 70% e totalmente revisto desde a primeira edição, o texto
biográfico inclui os últimos quinze anos da vida de Chico Buarque e acrescenta informações importantes às saborosas histórias levantadas por Werneck, como o episódio da prisão do futuro compositor,
ainda na adolescência - sua primeira aparição na imprensa, como "o menor F.B.H.". Num texto a que não faltam humor e emoção, o leitor acompanha Chico Buarque em sua fascinante trajetória de
homem e de artista, para com ele desembocar na serena maturidade de um músico que, nos anos recentes, firmou-se também como o grande romancista de Estorvo, Benjamim e Budapeste, livros publicados pela
Companhia das Letras. Com projeto gráfico de João Baptista da Costa Aguiar, Tantas palavras reúne fotos e outras imagens da vida do compositor e traz um folder com reproduções das capas de todos os
seus discos e livros." ( nota do site www.submarino.com.br , onde vc poderá comprá-lo ).

2. Chico Buarque ( Coleção Folha Explica, de Fernando De Barros E Silva ). traços biográficos com
análises de canções e leituras dos romances numa tentativa de interpretação, sustentada por uma idéia central: a de que a utopia brasileira do período anterior ao golpe de 1964 de alguma forma se
mantém e se renova na obra de Chico. É criada uma tensão particular, entre a imagem de um país inviável e a preservação da utopia, pela mesma voz que canta o seu desaparecimento. O livro é uma
homenagem ao autor e compositor.

Boa Leitura, Gerson
pedro borges  - biografia   |189.18.8.241 |15-09-2009 09:42:09
tem uma edição especial da revista contigo!, um perfil escrito pelo ruy cstro
e um biografia de uma coleção chama da perfis do rio, da relume-dumará, chama-se apenas chico buarque,a autora é regina
zappa.
Cerestino     |187.14.201.254 |15-09-2009 14:24:39
Poxa Gersão, brigadásso!

já estou no submarino, e vou acrescentar essas pérolas a minha estante.

Abração!
Andy Freitas  - Que, disse?   |187.14.181.139 |13-12-2009 21:09:52
O Chico não é normal não cara! Acredite
Renato  - AMAZING CRAZY !!!!&¨%$#@   |200.255.209.190 |26-08-2009 11:49:45
...algumas vezes já pensei sobre isso...

...essa loucura que na maioria das vezes está associada a excessos e entrega total em nome do fruir artístico....

...se não fosse a visitação do
espírito santo em minha vida, me mostrando não com palavras, mas com transformação, que a verdade está para além do que meus sentidos e idéias podem provar, se não fosse isso, eu talvez
enlouqueceria...

...como é sedutora a proposta de se perder em si, e mergulhar nas profundezas da alma humana, para extrair o sumo dessa vida passageira, com suas angústias e prazeres. é inebriante
a forma como os artistas e poetas nos enganam,revestindo de beleza os pecados, aliviando a culpa da humanidade. sobre isso, santo agostinho comenta em suas confissões, citando homero, como sua
mitologia fez com que homens corrompidos se sentissem semelhantes aos deuses, visto que em suas histórias, os deuses eram serem cheios de vícios e torpezas...

...esses maravilhosos loucos que
inspiram nós pessoas convencionais... nos sentimos purgados da monotonia através da intensidade com que se entregam as suas obras...a força do mundo vem sobre esses artistas como uma espécie de
"batismo com espírito santo" adulterado, transcendendo ao mesmo tempo que entreva a alma.

...cada um possui o seu quinhão......acho que o nosso, ou seja, meu e das pessoas que frequentam
esse site, é ser afetado pela estética da vida....se deixar entorpecer pela verdade da beleza que é materializada nas artes.....
...isso nos seduz.....

...enquanto eu me adimiro com a maravilhosa
loucura desses artistas brilhantes...existem cristãos enlouquecendo, vivendo com a mesma intensidade que um picasso ao produzir seus quadros...só que a mensagem, é bem explícita e direta....é
jesus....existem loucos que levam sua vida ao extremo, mas não pela busca vã de uma enovação artística ou aperfeiçoamento estético, esses loucos querem sugar o sumo da verdadeira vida que vale a pena,
ao ponto de perder a própria vida....são mártires espalhados pelo mundo, e que em sua maioria são pessoas simples que não estão a par desse papo estético artístico, e que passam por outros tipos de
conflitos....

...enfim....se é pra enlouquecer, que seja pela causa certa....

foi só um desabafo, entendendo que meu quinhão assim como o de vocês, não tem sido o de um mártire, mas refletindo
profundamente sobre isso, gostaria que realmente fosse....

valew Gerson pelo texto......que Deus acrescente cada vez mais paixão pela obra dele em seu coração, e te dê forças nessa árdua
caminhada.....
Gerson  - Excesso     |189.54.148.43 |15-09-2009 09:27:37
Legal , mano, o seucomentário! Gostei especilamente do que vc falou sobre "excessos e entrega total em nome do fruir artístico ". É isso mesmo, a mente mais criativa tende a ser mais solta,
não se submetendo docilmente aos limites que Deus e a nossa própria condição humana nos impõe. E LIMITEs, diz o monge beneditino Anselm Grun, "não deve ser apenas respeitados, mas amados. "
Existem pra nos abençoar, cuidar, guardar.
Cerestino  - somos os mesmos     |189.24.76.176 |26-08-2009 12:14:35
não acho que se possa justificar a loucura cristã. Não sei se foi isso que vc quiz, mas foi o que me pareceu, afinal, a gente só fala daquilo que nos parece né? rs só Deus pode falar do que
sabe.

mas, como nós, os artistas [verdadeiros] também estão em busca da verdade, e isso não pode ser diminuido pelo julgamento moral que a gente faz da vida deles.

Somos todos loucos, afetados
mentalmente pela infinita Beleza de Deus, que encontra nas artes um limpo canal.
Renato  - reverberando.......^^^^^^.....   |200.255.209.190 |26-08-2009 14:24:41
valew a reverberação ao texto cerestino!!!

...não quiz justificar a loucura cristã...
...apenas tentei pensar sobre o que motiva a loucura tanto de artistas quanto de mártires cada qual em sua
verdade...
e conclui, que apesar de entender esse papo todo da graça comum que se estende a todos e tal, e que mesmo uma pessoa que não confessa cristo com seus lábios, ainda sim é capaz de expressar
a beleza do criador através de sua arte, enfim(nem é disso que estou falando)...apesar disso tudo, existe a verdade única, que não é somente implícita em obras e sim declarada aos quatro ventos; e si
permitir enlouquecer assumidamente em prol dessa verdade, me parece uma forma coerente de entrega.

...a busca dos artistas pela sua verdade, não é alvo de minha desconsideração, pelo contrário, é
tão intensa e maravilhosa que me assusta, independente da conduta moral, e acho que assusta o Gerson também...

...o que escrevi na verdade foi uma forma de me desiludir, e procurar penerar os
sentimentos que tenho em relação a essa busca pela verdade dos artistas que as vezes me faz esquecer que essa entrega toda por mais que esbarre no divino é mais incompleta do que se tentarmos andar
diretamente com a verdade...enfim

...não nego a capacidade de articular as idéias para produzir arte, como sendo algo de Deus....mas não esqueço que jesus se emocionou e glorificou a Deus por
revelar sua verdade aos simples....
Larissa Vaz  - Doidera só...   |189.100.153.73 |28-08-2009 16:48:57
Gerson, Você é demais!
"A glória de Deus é compartilhar."
Enquanto leio seu artigo, ouço: É de coração.
Um beijo para a Rosana e para seus filhos, Bernardo e Pablo.
Fiquem na paz!
Gerson  - Obrigado pelo carinho, querida     |189.54.148.43 |15-09-2009 09:36:40
Obrigado pelo carinho, querida!
Amigos exageram nos elogios...não sou demais não, só não quero ser de menos ( medíocre ).

Grande beijo ,

Gerson
Sophie  - Duvidas   |189.18.252.11 |29-08-2009 22:05:00
Ola Gerson,

gostei muito do seu texto. Estava pesquisando na internet a relação do cristianismo com a criatividade, pois me inserindo cada vez mais no meio artistico, passo a ter duvidas. Acredito
que parte dessa loucura que começa a surgir não vem apenas da vida dificil, corrida, que exige muito, pois isso também ocorre em familias "normais", mas apenas os artistas são caracterizados
assim. Acredito que o mais forte é a idéia de precisar ter "experiencias de vida". Todo artista, verdadeiro, tem um olhar muito sensivel a realidade, e isso o faz se apaixonar pela vida,
querer vive-la, e não apenas na rotina, mas experimentar o diferente, e desejar ate mesmo sofrer, sabendo que o sofrimento foi consequencia de determinada escolha de viver. Mas surge então a questão,
"qual o limite do viver?". A questao pode parecer obvia, mas quando voce se ve na necessidade de tomar decisoes fortes e maduras sobre os rumos que deve seguir na vida, ela deixa de ser obvia.
Quando vemos o sofrimento do outro que não fez nada de mal e mesmo assim vive numa miseria tão terrivel, na fome, ou qualquer outro tipo de aparente injustiça no mundo, nos perguntamos então porque
teriamos o direito de não sofrer, de tentar "viver" o mais rotineiramente possivel para estar sempre alegre, aquela alegria que a sociedade nos determinou que existisse a todo instante e que
pela falta dela nos desesperamos e acreditamos estar vivendo terrivelmente, precisamos recorrer a psicanalistas para ficarmos novamente felizes. As vezes acho que não busco o sofrimento, nem a
felicidade nos moldes tradicionais, mas a alegria de poder tomar minhas decisões e viver uma vida minha, respeitando o outro, e compartilhando, como artista, minha visão do mundo, meus sentimentos.
Amo compartilhar essas mesmas coisas com os outros seres humanos. E entao, quando amo o ser humano que respeita, que ama, que não tem preconceitos, parece começar, sobre um sentimento aparentemente
tão belo, a dificuldade de entender os limites do amor na vida normal, na vida de artista, os limites da experiencia com o outro, com o amor. é, entao, algo circular: a obra de arte, o artista, e sua
vida. Dificil dissociar os tres, pois tudo vem do amor a vida, da busca das verdades da vida, de como devemos viver, questionar o que ja existe, entender os sentimentos, e as vezes tudo isso esbarra
em algumas crenças que temos, nunca na fé em Cristo e na espiritualidade, na crença do amor ao proximo, mas em certas determinaçoes sobre comportamentos que muitas vezes estao atrelados a essa crença,
e é sempre dificil tomar a maior decisão de decidir como viver. é louco, é temeroso tomar decisoes, é dificil. o que nos consola por fim é que a vida não é apenas alegria, não é apenas sofrimento, é
uma vida repleta de sentimentos, todos no fundo colaborando para sermos quem somos, para nos ensinar a partir dos erros, das experiencias, e viver cada dia como um pequeno milagre de viver.

Abraço
Gerson  - Linda ( e dura ) questão, Sop     |189.54.148.43 |15-09-2009 09:44:24
Linda ( e dura ) questão, Sophie ! " Qual o limite do viver ? "

Bem, em termos teológicos, limites são bem-vindos. Limites nos mantém em contato com o Real. O Real nos livra da alienação e
da morte. Em termos existenciais e filosóficos, a questão se desdobra de modo ainda mais complicado. Limites podem ser muros de mediocridade, de indolência, de vazio.

Há, portanto, duas formas de
olhar para os limites do viver: como instrumentos de saúde e vida e mecanismos de depauperação existencial. A línha é tênua, muitas vezes, e claríssima outras: hoje, por exemplo, na minha devoção ,
cedinho, escrevi " Que eu dê mais atenção a Ti, Senhor, a mim mesmo e à minha família ". Orar assim significa assumir que muitas coisas precisarão ser sacrificadas .

Se quiser, continuamos o
papo!

Beijo,

Gerson
Leuh...o VAlente de Goiás!  - De artista e de louco...   |200.163.3.235 |01-09-2009 12:24:41
...todos nós somos um pouco!

GB! Que saudades!!!
Artes e Loucura paracem sinônimos dessa nossa vida divinal.
Você verbalizou muitas das minhas questões interiores, e vejo que não sou sozinho
nesse manicômio chamado "vida".
A cada dia lutamos, e com que Graça lutamos. Com a arte, e conjecturando, com a "Arte da Criação"..
Se a Natureza é testemunha da presença de Deus,
nós somos os "ermitões"(trocadilho infame..eu sei..kkkk)dessa obra de arte.

Enfim...GB...saudades!
Estarei voltando aí agora no feriado!!Quem dera pudesse passar aí!!!
(espero q vc se
lembre de mim..o q fez a oficina de Teatro com o Wagner no Sarau da Comuna..que veio de Brasilia....ééé..esse mesmo..hehe)
Abraços pra todos! Pra family e pra toda igreja!!
Que Deus os abençoe!
Gerson  - Volte sempre     |189.54.148.43 |15-09-2009 09:45:09
Volte sempre, sempre, meu querido!

Somos loucos mas nem tanto ...

Abração,

Gerson
pedro borges  - sei não...     |189.18.152.16 |09-09-2009 00:17:02
acabei de ler um trecho do livro ortodoxia, do chesterton, e ele fala que os artstas não tem muito de louc, não...
fiquei pensando sobre isso. de fato, cada artista genial que tenha fama de louco, só
costumava surtarquando não estava escrevendo. alguns gostavam de cultivar essa fama, como pessoa, que afirmava ter escrito o guardador de rebanhos durante um transe que durou uma noite...
parece que
posteriormente acharam esboços dos poemas, ou ele publicou parte deles anteriormente à data que consta em seus arquivos. baudelaire afirmou que escreveu certos poemas de prima e depois acharam
esboços, ersões desse tal poema. cruz e sousa e lima barreto não estavam em surtos de loucura quando escreveram suas obras (um enlouqueceu or conta do álcool depois ou nos intervalos entre uma obra e
outra, o outro viu a mulher enlouquecer e a sociedade a tentar deixá-lo llouco).
lendo outro texto, também hoje, uma crítica psicanalítica sobre um texto de branquinho da fonseca, concluí que na
verdade a mente que consegue criar é sadia; as que são racionais o tempo todo éque são doentes.
então... acho que não concordei muito com vc, não... (e achei o tema meio batido, também...).
Gerson  - Vamos lá, ao debate !     |189.54.148.43 |15-09-2009 10:09:42
Vamos lá, ao debate !

Querido Pedro:

1. Vc não acha Chesterton um tanto ...louco ?! Eu acho...louco e genial !

2. Sim, escrever/pintar/compor etc etc etc é uma forma de des-surtar ou de reverter o
surto: não é à toa que temos arte-terapias diversas, não sem razão que Rubem Alves ( êta maluco beleza esse aí ) escreveu :

" Os artistas têm medo de psicanálise! Eles temem que, com a resolução
dos seus sofrimentos neuróticos, o impulso criativo os abandone. Pois, a se acreditar na psicanálise, a arte não é sintoma de uma ferida interior? Curada a ferida, a arte não teria mais razão de ser
". ( O sapo que queria ser príncipe " ( Ed. Planeta, 2009, p. 156 )

3. Fernando Pessoa não cultiva a fama de louco não, meu caro , ele era ! Como explicar seus heterônimos sem pensar num tipo
de ezquizofrenia dissimulada ( licensa artística, já "que o poeta é um fingidor/Finge tão intensamente/Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente " ? Isso sem falar nos seus
esoterismos piradaços ... mas que ele sabe fazer poeisa, ô se sabe ! Santa Loucura !

4. Não disse que o momento da criação artística pressupões um estado de surto ! Eu refleti sobre a condição
existencial do artista como alguém que se debate interiormente diante da vida ( na verdade, todos nós vivemos isso : Freu chamou de " O mal-estar da civilização ", Kiekegaard/ Von Balthazar de
" angústia " )e responde com ...arte ! Na verdade, arte, dialeticamente me contradizendo, não é loucura : é sanidade !

5. Sim, sim: a mente criativa está em busca de saúde, eu repito !

Bem,
a gente se fala...saúde e paz, querido,

Gerson
Tarsila   |189.55.6.37 |13-09-2009 21:34:06
É a primeira vez que acesso este site, conheci através do "plataforma.art.br"
Estou emocionada com a leitura de seu texto, me alivia constatar que há mais cristãos que pensam sobre os dilemas
da arte, loucura, a realidade cotidiana... e não conseguem se adaptar simplesmente à mediocridade.
Que Deus continue o inspirando desta forma. E, se for para ficar louco, que seja na
"loucura" do Espírito Santo.

Graça e paz!
Gerson  - Seja bem-vinda ao CC !     |189.54.148.43 |15-09-2009 09:09:27
Querida Tarsila, que alegria seu comentário nos traz ! Seja bem-vinda ao CC! Sim, que a gente se aproxime em torno de Jesus, que nos cura das nossas loucuras reais ou imaginárias. Ele é a um só tempo,
o Médico e o Grande Artista, o Senhor de toda a Beleza.

Abração,
Gerson
Larissa Vaz   |189.100.146.249 |16-09-2009 12:02:42
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Larissa Vaz   |189.100.146.249 |16-09-2009 12:02:56
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Larissa Vaz   |189.100.146.249 |16-09-2009 12:03:10
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luci   |201.8.205.137 |23-09-2009 16:00:30
rapaz se a propria palavra de Deus diz que pro mundo temos que ser louco, então seremos.
Gerson  - Oops, nãoé que vc está ( meio   |200.161.61.18 |29-09-2009 18:27:52
Oops, nãoé que vc está ( meio ) certa ??
Dan Queirolo  - Me encontrei...     |200.146.81.173 |23-09-2009 19:52:06
Confesso que me encontrei neste texto, e confesso ter o mesmo medo que aflige o autor.

Oro todos os dias para que eu consiga conciliar minha "rotina de vida" com as idéias que pululam na
minha mente a todo instante.

Espero que Deus tenha misericórdia da minha desorganização, atrasos e loucuras.
Gerson  - Comunhão   |200.161.61.18 |29-09-2009 18:28:53
Caro Dan,

meu medo é hipotético mas real, o seu é real mas que seja apenas hiptético.

Deus seja contigo e te dê paz, mano,

Gerson
Napoleão   |201.9.226.199 |19-10-2009 18:10:55
Putz,brother texto bem diferente. Deu pra fazer uma reflexão
bem aproveitável. Parabéns cara
Bruna Pasini  - Muito bom!!     |189.14.9.224 |20-10-2009 17:11:42
Pastor amei seu texto, muito interessante!!
Como estudante de Artes Visuais eu gostaria muito de saber se posso ter acesso à essa palestra sobre Van Gogh, seria muito edificante para mim!

A paz
de Deus seja com o senhor...
Anderson Grant  - Descobri   |187.40.165.246 |06-11-2009 12:35:30
Nuusssa, descobri que sou artista e não sabia, mas sentia que aquela falta se sentindo em algumas coisas fazia sentido.
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Última Atualização ( 25 de agosto de 2009 )
 
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