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por Augusto Guedes
“Da multidão dos que creram” e vivem no Brasil dos últimos anos, muitos ouviram as suas músicas, e cantaram as suas canções. Provavelmente aqueles que apreciam algo mais elaborado, que reconhecem um bom talento, ou que escutam com o coração. Estes aprenderam sobre “aquele que criou o universo e os astros espalhou por seu lugar”, que “embora tão distante, está tão perto” e que “o Deus onipresente decidiu se revelar”. Assim, “Eu e você, igreja presente”, “somos convidados” ou fomos inspirados por meio do seu trabalho musical, às vezes só, às vezes com outros grandes poetas e compositores cristãos, a cantar “em todo o tempo” ao “Rei das nações”, convocando-nos... “adorai ó povo de Deus, reina o Senhor!...” ou “batam palmas de alegria, cantem todos ao Senhor, porque Deus é o Deus tremendo, é o grande Rei”, ao mesmo tempo expressando... “estamos juntos, prontos para a adoração que vem de dentro, vem do coração...” ou ainda “em santidade, Senhor, assim é que louvamos, obediência e temor, assim te adoramos...”; e ao mesmo tempo fazendo um auto-convite... “Acorda, ó minh’alma, desperta para Deus, proclame glória ao Santo com o coro lá do céu...”, ou constatando... “ah, como é bom poder aos pés da cruz depositar este meu fardo pesado e árduo de carregar, e não ter que andar ansioso de nada...”, consciente de que a Ele podemos nos achegar, dizendo: “Ó meu Pai, Tu que vês bem além do exterior, dentro em mim sabes como eu sou...”, ou pedindo: “Enche-me, Espírito! Mais que cheio quero estar, eu o menor dos teus vasos posso muito transbordar.” E porque não perguntando e repetindo: “Quem não te louvará? Quem não glorificará Teu Nome? Pois só Teu Nome é Santo!”. “...os Teus atos de justiça se fizeram manifestos”. Na sua soberania, “Ele é soberano, dirige nossas vidas, e tudo ele faz para o bem dos que o amam...”, em 08.11.2009, Deus o levou para si. Além do seu legado musical, fica a inspiração da vida de um “homem bom e piedoso, cheio de temor e fé, homem de Deus”, como as palavras que ele mesmo escreveu referindo-se a Barnabé (personagem bíblico) em parceria com Guilherme Kerr Neto, e que parece não apenas tê-lo inspirado à canção, mas à vida. Certamente isso fez grande diferença, tornando-o num exemplo de bom amigo, de bom esposo, de bom pai, e de bom cuidador de ovelhas. Simples no viver cotidiano em que reconhecia a presença de Deus... “ao acordar, ao respirar, ao ver raiar um novo dia, sinto a constância do Teu amor, sinto a presença do Teu calor, sinto Tuas mãos a me envolver, ó Senhor...”; na maioria das vezes, alegre (um excelente piadista) alegria que também expressava em seu louvor... “De todo o meu coração, ó Senhor, eu louvarei e Te adorarei. Em Ti eu me alegro, Senhor, e alegre, a Ti, cantarei. Tu És o motivo maior de só viver pra Teu louvor.”; também foi daqueles que nos deixaram o ensino de que a nossa esperança está em Deus, não apenas através do seu CD comemorativo de 35 anos de ministério, cujo nome é “Porto Esperança”, em que todas as músicas fazem alusão a esta verdade, mas também em composição com Nelson Bomilcar, que diz: “quando na dor, na tentação, quero em Tuas mãos agarrar para que não venha me desviar. Quero poder permanecer sempre nos Teus caminhos para firmar meus pés em Ti, ó autor da vida, meu Senhor"! Dor, sofrimento e saudade nos cercam, ao mesmo tempo, a certeza de que para ele, Rehder, significa não mais estar convivendo com o pecado, mas sim, gozando da indescritível presença do Pai. Oremos por Marilda, sua amável esposa, por Carol e Marina, suas filhas recém-casadas, além dos genros e toda a família. Numa das suas últimas cantatas, Jorge lembra as palavras de Isaías... “Consolar, vem consolar o meu povo, é a palavra que nos diz o Senhor...” P.S. Conheci Jorge Rehder, apresentado por Nelson Bomilcar em 1993, no Projeto Raízes, em São Paulo. Já conhecia o seu trabalho musical, o que de certa forma o fazia íntimo pelo fato dele já ter atingido o meu coração. Compartilhei como ecoava do outro lado do país o seu ministério musical. Depois disso, dentre vários contatos durante todos esses anos, três tornaram-se especiais. Um, quando estivemos os três, eu, Nelson e ele a caminho do Louvale (São José dos Campos-SP) e relacionavam o louvor que iriam ministrar. Outro, quando o Rehder me fez um pedido muito especial ao estar conosco em Fortaleza-CE, pois nunca comera lagosta na vida. Fomos a um restaurante muito simples, casa de pescador, num bairro pobre da cidade, comida fresca e deliciosa. Na mesma vinda a Fortal, reunimos as nossas famílias e o Rehder se apresentou para as minhas filhas dançando de forma hilária e espetacular, transmitindo a alegria que sempre teve em vida. Presente de Deus conhecê-los e aprender a amá-los.
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