Tempos de paz PDF Imprimir E-mail
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13 de novembro de 2009

Imagepor Taís Machado

Falar em tempos de paz num contexto de tanta violência, variadas guerras “semidisfarçadas”, me parece oportuno. As abordagens podem ser diversas. Poderíamos até começar procurando definir a que paz estamos nos referindo. Contudo, gostaria de comentar brevemente sobre o filme brasileiro, do diretor Daniel Filho, tendo Tony Ramos e Dan Stulbach nos papéis principais (respectivamente, Segismundo, interrogador alfandegário e ex-torturador da polícia política de Getúlio Vargas, com o ex-ator polonês Clausewitz, confundido com um nazista fugitivo).

Parece-me que a escolha desse título – “Tempos de Paz” (estreou dia 04 de agosto de 2009) - tem a ver mais diretamente com o contexto vivido em abril de 1945, quando os combates da 2a Guerra Mundial já cessavam na Europa, mas o Brasil ainda estava tecnicamente em guerra. Segismundo naquele momento estava como chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro. No entanto, para ele, o fim da Guerra, por ironia do destino, é o que lhe tira a paz. Ele teme a vingança de seus ex-prisioneiros.

Antes de deixar seu trabalho na alfândega, porém, surge a desconfiança de que o imigrante polonês Clausewitz possa ser nazista. Após interessantes diálogos lhe é dada a chance de conseguir o visto de entrada no Brasil se conseguir fazer o durão torturador Segismundo chorar.

Além da dificuldade da língua, Clausewitz diz que nada mais tem a não ser suas lembranças, e elas não são positivas; antes, fazem-no questionar sua existência, os sentidos, sua vocação. Pra mim, sobretudo, trata-se de um belo filme sobre vocação, além, é claro, de também dizer da força da arte, que nem sempre se entende, mas se pode sentir e ela é avassaladora sobre nós.

Tenho pensado que, para uma geração à deriva, a palavra vocação desabrocha com força: é como se fosse uma bóia, uma tábua de salvação no alto mar. Não resolve por si só, mas ela pode ser o que dará sustentação, uma sobrevida, trará alguma esperança, auxiliará até um encontro maior. Tenho considerado o quanto descobrir a própria vocação e realizá-la no cotidiano pode, de certa forma, trazer paz.

O teólogo e escritor escocês William Barclay (1907-1978) afirmou que “há dois grandes dias na vida de uma pessoa – o dia em que ela nasce e o dia em que descobre por que nasceu”. Na fé cristã descobre-se que em última análise todos fomos criados com uma vocação maior e comum, uma que nos defina na criação – feitos para adorar ao Criador. E na relação com Deus percebemos não uma imposição, mas uma descoberta de vida e paz, onde diante de seu amor e graça nos rendemos em adoração.

O famoso pintor Pablo Picasso disse certa vez: “Nós, artistas, somos indestrutíveis. Até numa prisão ou num campo de concentração eu seria onipotente no meu mundo da arte, mesmo que tivesse de pintar meus quadros com a língua molhada no chão da minha cela”. Para Picasso responder à sua vocação, manifestando sua arte, é algo que o faz viver ainda que nas circunstâncias mais desfavoráveis. Também podemos refletir o quanto sua vocação tem a ver com sua identidade, em como ele se enxerga e a força que isso tem dentro dele, ao ponto de sentir-se onipotente em seu mundo artístico.

Isso me faz lembrar também muito da história de Davi (aquele da Bíblia) que faz do seu cotidiano salmos, que bem expressa a linguagem da alma, que com a música e a poesia se alegra, chora, lamenta e se encontra.

Em nossos dias tenho o privilégio de conhecer e acompanhar muitos queridos que me abençoam com variadas manifestações artísticas. Jorge Rehder foi um desses que entra na nossa vida pra nos enriquecer, para nos lembra o que realmente vale, vem pra nos ajudar a admirar a beleza que nos cerca, pra nos conscientizar da nossa vocação comum e especial – adorar a Deus. Sua vida nos mostrou isso, seu legado continuará a nos ensinar.

Abrir novos espaços para ponderar a respeito, para partilhar dúvidas e descobertas, para celebrar a vida e suas belezas é algo que todos podemos fazer. Esse portal tem se prestado também a isso. Meu reconhecimento e gratidão ao casal Whaner e Ana Claudia.

Vamos trazer mais gente pra roda...

 

Tais Machado é psicóloga e docente em diversos Seminários Teológicos.  É Secretária Nacional de Capacitação da ABUB – Aliança Bíblica Universitária (ligada à International Fellowship Evangelical Students),
integrando a executiva nacional da organização

 

 

Comentários
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Michele   |187.36.113.191 |22-11-2009 21:56:19
Tais,
Sua bela escrita me remete a Nietzsche: "a vida seria um erro sem a música"... e acho que assim o é sem a ARTE... A vida por mais intensa que seja, sem a arte deixa a desejar. Obrigada
por partilhar do seu olhar sobre essa beleza. Além disso, sigo para assistir ao filme...
beijos,
Mi
Tais  - Bom filme!   |189.33.72.190 |24-11-2009 10:28:57
Oi Mi!

Obrigada por seu retorno! Espero que goste do filme.
E que boas músicas te acompanhe.

Beijos,
Tais
Fred   |189.59.172.210 |17-12-2009 11:44:13
Acabei de ler o livro do Frank Schaeffer e entrei no portal para dar uma olhada...
Muito bom o texto. Vou continuar entrando na roda para quem sabe me tornar um pouco mais artista.

Abraço cheio de
expectativa até o IPL.

Fred - ABUBH
Tais  - seja bem-vindo!   |189.33.65.100 |23-12-2009 14:37:51
Oi Fred,

O livro é fera, né? Espero que essa leitura continue contribuindo para sua formação, assim como o IPL (Instituto de Preparação de Líderes), agora em janeiro.

Abração,
Tais
Ana Claudia  - Fala, Fred!     |189.102.117.207 |17-12-2009 22:35:24
Que alegria vê-lo por aqui, Fred! Ficamos felizes também que tenha gostado do livro! Abração!
Hugo Hanashiro   |187.38.126.163 |25-12-2009 10:05:35
Olá Taís!
Fiquei curioso pra assistir o filme! Depois a gente troca as impressões!
Abs!
Hugo
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Última Atualização ( 14 de novembro de 2009 )
 
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