Sem penalidades PDF Imprimir E-mail
Avaliação do Usuário: / 5
PiorMelhor 
18 de abril de 2010

Image por Jorge Camargo

Adoro futebol. Sou quase que um jogador frustrado. De vez em quando me arrisco - e a reputação do meu time! - no gol. Levando em conta a barriga avantajada, até que me viro bem.

Pensando nas paixões que o futebol desperta e nas asas à imaginação que o seu encanto em mim concede, decidi fazer alguns paralelos entre uma partida de futebol e a vida.

Aos quarenta e poucos, me sinto cronologicamente no final do primeiro tempo de jogo. O placar? Bem, joguei com todo o empenho, fiz alguns belos gols. O score é bem elástico, com vários tentos assinalados por ambos os times. Tomei alguns gols antológicos, daqueles que reconheço como obras-primas, mesmo tendo sido feitos contra mim.

Estou prestes a ir para o intervalo, quando irei ouvir do treinador comentários sobre os erros de marcação, as bolas que tomei pelas costas, as distrações nas jogadas de bola parada, as bolas perdidas no meio-campo e que propiciaram contra-ataques fulminantes. Ao fim da mini-preleção, antevejo suas palavras de encorajamento, semelhantes às que grita (junto com um monte de palavrões) à beira do campo, sem contudo ultrapassar os limites da área técnica e muito menos sem invadir a cancha, mesmo em casos extremos, como os de uma expulsão injusta.

Afinal, cabe a mim somente jogar o jogo.

Expectativas para o segundo tempo?

Apenas a vontade de lutar sem entrega, a despeito do placar final. O grande prazer, a enorme satisfação é de estar jogando, de contemplar a torcida ensandecida, roçar os pés com todo o carinho sobre os muitos gomos da bola, imaginar as mais belas e inesquecíveis jogadas...

Prorrogação?

Talvez, mas se houver, será só canseira e enfado.

Ao apito final, quando se fecharem as cortinas do grande espetáculo, somente uma certeza: seja qual for o resultado último, não haverá cobrança de penalidades.

 

Jorge Camargo é músico e compositor.

Comentários
Adicionar novo Busca RSS
Diego Guimarães     |187.52.125.143 |19-04-2010 19:05:00
Excelente metáfora, Jorge, bem propícia para a cultura brasileira, aficionada por esse esporte. Espero chegar ao fim do primeiro tempo assim também, tendo a certeza de que, a cada gol e a cada falta
sofridos, aprendi alguma coisa útil pra levar pro segundo tempo e viver melhor, pra no fim levantar a taça de campeão, que no nosso caso é a coroa incorruptível. Parabéns!
Anônimo   |189.138.89.76 |03-05-2010 18:22:31
Que metafora!! Me levou a refletir uma questao da vida que chama-se RELACIONAMENTOS.
Sao exatamente como descreve Jorge em sua relacao com o futebol. So discordo com um ponto.No meio dos palavroes,
expulsoes injustas e palavras de encorajamento, nao nos cabe somente jogar o jogo,ou ser jogador, mas ser parte da torcida sempre.Com gols ou sem gols,com acertos ou erros, com prorrogacoes ou nao,
porque como torcedores as prorrogacoes deixam de ser cansativas ou enfadonhosas mas ESPERANCOSA, porque a bola pode e como pode entrar no gol e a jogada sera sempre Inesquecivel.Assim sendo, vale a
pena torcer para que os relacionamentos terminem bem, porque no final,o Treinandor maior quer ver a equipe e a torcida juntos, sempre juntos.
Parabens pela metafora!!!
Escrever um comentário
Nome:
E-mail:
 
Website:
Título:
 
Por favor coloque o código anti-spam que você lê na imagem.

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

*** Gostou do artigo? Então, RECOMENDE para um amigo. Não gostou? Indique para um inimigo! CLIQUE AQUI. ***

Última Atualização ( 18 de abril de 2010 )
 
< Anterior   Próximo >