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07 de novembro de 2010

Image por Jorge Camargo

Minhas filhas e eu partimos apressadas ao encontro de minha irmã, tomando a estrada naquela manhã morna de sábado, com o céu azul sem nuvens por companhia.

Tínhamos 80 quilômetros pela frente. Depois de rodarmos metade do caminho, um frio gélido percorreu minha espinha: eu havia esquecido os documentos do carro em casa.

E como desgraça pouca é bobagem, esquecera também todos os meus documentos pessoais.

As meninas perceberam meu semblante angustiado. Todos partilhamos da mesma angústia quando lhes contei o que ocorrera.

A viagem que tinha tudo para ser um tempo agradável de conversa e distração, tornara-se agora um espaço de silêncio constrangedor. Silêncio fruto do medo de que a transgressão fosse descoberta e punida.

Dito e feito.

Poucos minutos depois, um guarda rodoviário faz o sinal característico de parar o carro.

Meu coração quase saltou pela boca. Olhando pelo retrovisor, constatei o olhar de pavor das meninas e tentei com todas as forças manter a calma.

Por que justamente hoje, meu Deus, ser parada na estrada?

O guarda, com a face carrancuda, foi direito ao assunto: “documentos, por favor.”

Alguns segundos de silêncio, e a resposta inevitável: “seu guarda... é o seguinte: esqueci TODOS os documentos em casa. Pessoais e do carro.”

Mais alguns segundos de silêncio.

Nesses instantes que pareceram uma eternidade, viajei no pensamento. Qual seria o desfecho do episódio? Apreensão do carro? Fim da viagem? Voltar para casa como? E as despesas decorrentes de multas?

Encarei o guarda nos olhos, e disse: “seu guarda, sei que estou errada, mas não foi minha intenção...eu lamento profundamente o fato de não ter os documentos comigo...por favor, me desculpe!”

Mais um pouco de silêncio.

Por fim, com voz firme e forte, o guarda dá o veredicto: “siga adiante, senhora”

Mal pude acreditar no que ouvi.

Agradecendo rapidamente, sem coragem de olhá-lo nos olhos, liguei o carro e segui viagem.

Como se o mundo tivesse sido retirado de meus ombros.

Embalada pelo ritmo leve e suave da graça.

Jorge Camargo é músico e compositor.

Comentários
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Reuel   |187.40.149.80 |22-11-2010 12:40:49
realmente foi graça, mas, será que alguém que estava com todos os documentos em dia foi multado no lugar dela?
;)
Jorge Camargo   |201.83.9.185 |24-11-2010 09:15:11
Oi Reul, aí é como na parábola dos trabalhadores na vinha...mistérios graciosos.
Reuel   |187.40.128.129 |26-11-2010 10:37:24
caramba, o Jorge Camargo comentou meu comentário! e errou meu nome q nem todo mundo...rsrs
Whaner Endo  - Essa é a diferença     |189.38.176.186 |26-11-2010 14:58:00
Oi, Reuel.

Essa é a diferença do Portal Cristianismo Criativo para os outros sites... Aqui, os autores conversam com os leitores! 8-)

Abração,

Whaner
Meire     |189.29.193.3 |14-12-2010 15:00:33
Muito bom!
Fui envolvida pelas palavras que senti meu coração bater mais aliviado com o desfexo da história.
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Última Atualização ( 11 de novembro de 2010 )
 
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