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por Nelson Bomilcar
Vivemos uma realidade interessante nas igrejas locais no Brasil no contexto das artes. É novo aqui, mas não é novo em outros países. Aconteceu e acontece na Europa e América do Norte desde o século passado, nas últimas décadas, mais intensamente com a expansão das redes sociais e multiplicação do acesso à arte. (1) artistas que focaram seu trabalho dentro do ambiente eclesiástico estão buscando o reconhecimento de seu trabalho pela mídia chamada secular, e espaços culturais dos grandes centros. Muitos destes artistas eram cerceados em sua liberdade e amplitude de criação por suas próprias convicções, outros por preconceitos da religião. Estão fazendo adaptações e construindo letras e estéticas, em que os aspectos religiosos não sejam tão agressivos ou latentes. (2) artistas que não estavam no universo evangélico, religioso ou eclesiástico, e que por experiências pessoais com a fé ou mesmo empurrados pelo mercado, buscam o reconhecimento nas igrejas e ambiente religioso. Muitos sem experiências autênticas de fé, mas com a moldura mais adequada para os consumidores e público-alvo do mercado. São movimentos intensos, antagônicos, mas todos buscando aceitação e reconhecimento em públicos e realidades que não transitavam anteriormente e nem procuravam conhecer ou atingir com suas produções artísticas. Movimentos que precisam de legitimação em autenticidade e verdade. Nem sempre isto é possível e o público percebe isto. Movimentos com diversas e nem sempre claras motivações. O desafio maior que vejo é que artistas cristãos precisam "pagar o preço" de encarar o mundo artístico e a realidade fora da igreja, com todos os seus desafios profissionais e com as expectativas de cada grupo que deseja alcançar. Isto quando o que faz artisticamente não permite este trânsito tão tranqüilo nos dois ambientes e realidades, o que parece ser um alto percentual. Não foi o caso de Bach, Haendel, Van Gogh, e outros que tinham no seu conteúdo artístico, estético e sonoro, algo que pode tranquilamente atingir as duas realidades e serem reconhecidos pelos dois públicos e pelos críticos de arte: o religioso e o não-religioso. De qualquer maneira, muitos artistas na pintura, poesia, música e outras áreas, fizeram esta ocupação naturalmente, extensão do que de fato eram inclusive em suas ambiguidades. Muitos são os artistas que não usam sua arte para proselitismo religioso ou de sua crença pessoal. Fazem a arte pela arte, pela comunicação e expressão universal legítima que é. Arte criada por Deus para ser expressa por suas criaturas. E por este caminho percorrido com verdade e coerência acabam sendo admirados tanto no universo religioso como nos outros espaços culturais e mídia. Fora isto, o caminho da sobrevivência através da arte e da profissão de artista não é fácil e continua não sendo fácil. É por isto que muitos migram para o ambiente religioso neste momento. Muitos artistas não têm a disciplina, disponibilidade, sustento, coragem e cobrança para fazerem arte com excelência e com estudo. Os movimentos precisam ser feitos de maneira honesta, com consciência ética e profissional. Arte se amadora e simples, pode também ser excelente e apreciada! Nelson Bomilcar é conhecido no Brasil como músico, pastor, missionário, compositor, produtor, conferencista e escritor. É casado com Carla e pai de Karen e Nathan. Há 36 anos exerce seu ministério no Brasil e tem suas canções, parcerias, produções e arranjos presentes em inúmeros trabalhos da música cristã nacional.
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