Cristianismo Criativo. Movimentos legítimos ou antagônicos? PDF Imprimir E-mail
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26 de janeiro de 2012

Image por Nelson Bomilcar

Vivemos uma realidade interessante nas igrejas locais no Brasil no contexto das artes. É novo aqui, mas não é novo em outros países. Aconteceu e acontece na Europa e América  do Norte desde o século passado, nas últimas décadas,  mais intensamente com a expansão das redes sociais e multiplicação do acesso à arte.

(1) artistas que focaram seu trabalho dentro do ambiente eclesiástico estão buscando o reconhecimento de seu trabalho pela mídia chamada secular, e espaços culturais dos grandes centros. Muitos destes artistas eram cerceados em sua liberdade e amplitude de criação por suas próprias convicções, outros por preconceitos da religião. Estão fazendo adaptações e construindo letras e estéticas, em que os aspectos religiosos não sejam tão agressivos ou latentes.

(2) artistas que não estavam no universo evangélico, religioso ou eclesiástico, e que por experiências pessoais com a fé ou mesmo empurrados pelo mercado, buscam o reconhecimento nas igrejas e ambiente religioso. Muitos sem experiências autênticas de fé, mas com a moldura mais adequada para os consumidores e público-alvo do mercado.

São movimentos intensos, antagônicos, mas todos buscando aceitação e reconhecimento em públicos e realidades que não transitavam anteriormente e nem procuravam conhecer ou atingir com suas produções artísticas. Movimentos que precisam de legitimação em autenticidade e verdade. Nem sempre isto é possível e o público percebe isto. Movimentos com diversas e nem sempre claras motivações.

O desafio maior que vejo é que artistas cristãos precisam "pagar o preço" de encarar o mundo artístico e a realidade fora da igreja, com todos os seus desafios profissionais e com as expectativas de cada grupo que deseja alcançar. Isto quando o que faz artisticamente não permite este trânsito tão tranqüilo nos dois ambientes e realidades, o que parece ser um alto percentual.

Não foi o caso de Bach, Haendel, Van Gogh, e outros que tinham no seu conteúdo artístico, estético e sonoro, algo que pode tranquilamente atingir as duas realidades e serem reconhecidos pelos dois públicos e pelos críticos de arte: o religioso e o não-religioso. De qualquer maneira, muitos artistas na pintura, poesia, música e outras áreas, fizeram esta ocupação naturalmente, extensão do que de fato eram inclusive em suas ambiguidades.

Muitos são os artistas que não usam sua arte para proselitismo religioso ou de sua crença pessoal. Fazem a arte pela arte, pela comunicação e expressão universal legítima que é. Arte criada por Deus para ser expressa por suas criaturas. E por este caminho percorrido com verdade e coerência acabam sendo admirados tanto no universo religioso como nos outros espaços culturais e mídia.

Fora isto, o caminho da sobrevivência através da arte e da profissão de artista não é fácil e continua não sendo fácil. É por isto que muitos migram para o ambiente religioso neste momento. Muitos artistas não têm a disciplina, disponibilidade, sustento, coragem e cobrança para fazerem arte com excelência e com estudo. Os movimentos precisam ser feitos de maneira honesta, com consciência ética e profissional. Arte se amadora e simples, pode também ser excelente e apreciada!

Nelson Bomilcar é conhecido no Brasil como músico, pastor, missionário, compositor, produtor, conferencista e escritor. É casado com Carla e pai de Karen e Nathan. Há 36 anos exerce seu ministério no Brasil e tem suas canções, parcerias, produções e arranjos presentes em inúmeros trabalhos da música cristã nacional.

 

Comentários
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Augusto Guedes  - É necessário Sabedoria e Disce     |187.79.235.227 |28-01-2012 20:05:31
Querido Nelson,

Obrigado pelo texto. Sua experiência no campo das artes, aliada às suas constantes viagens ministeriais pelo nosso país, além do seu firme compromisso com o Pai, revelado naturalmente
através da sua família e da sua atuação comprometida mais com o reino de Deus do que com os dos homens, fazem de você alguém em condições plenas de nos trazer tais comentários com
legitimidade.

Realmente, nos dias atuais brasileiros, artistas de ambos os ambientes citados têm buscado reconhecimento em campo desconhecido e novo para eles próprios. Não se trata de um caminho
fácil para ninguém. É lamentável observar aqueles que demonstram buscar o meio religioso como mais um nicho de mercado a ser explorado, e nada mais,
Augusto Guedes     |187.79.235.227 |28-01-2012 20:06:50
Querido Nelson,
Obrigado pelo texto. Sua experiência no campo das artes, aliada às suas constantes viagens ministeriais pelo nosso país, além do seu firme compromisso com o Pai, revelado naturalmente
através da sua família e da sua atuação comprometida mais com o reino de Deus do que com os dos homens, fazem de você alguém em condições plenas de nos trazer tais comentários com
legitimidade.

Realmente, nos dias atuais brasileiros, artistas de ambos os ambientes citados têm buscado reconhecimento em campo desconhecido e novo para eles próprios. Não se trata de um caminho
fácil para ninguém. É lamentável observar aqueles que demonstram buscar o meio religioso como mais um nicho de mercado a ser explorado, e nada mais,
Augusto Guedes  - Sabedoria e Discernimento     |187.79.235.227 |28-01-2012 20:11:50
Querido Nelson,

Obrigado pelo texto. Sua experiência no campo das artes, aliada às suas constantes viagens ministeriais pelo nosso país, além do seu firme compromisso com o Pai, revelado naturalmente
através da sua família e da sua atuação comprometida mais com o reino de Deus do que com os dos homens, fazem de você alguém em condições plenas de nos trazer tais comentários com
legitimidade.

Realmente, nos dias atuais brasileiros, artistas de ambos os ambientes citados têm buscado reconhecimento em campo desconhecido e novo para eles próprios. Não se trata de um caminho
fácil para ninguém. É lamentável observar aqueles que demonstram buscar o meio religioso como mais um nicho de mercado a ser explorado, e nada mais, muitos "sem experiências autênticas de fé"
ou "empurrados pelo mercado", como você tão bem colocou. É também lamentável observar artistas cristãos partindo na direção de se posicionarem no meio chamado secular sem o preparo adequado
nas mais diversas áreas.
Uma das maiores contribuições que o artista cristão pode dar a sociedade é uma arte repleta de princípios cristãos, por ser um cristão, assim como acontece com discípulos de
Jesus que atuam nas mais diversas áreas de atividades.
Um bom exemplo a ser contemplado e observado é C.S.Lewis, que com a sua arte, que poderia ser chamada de "secular", ainda continua
atuante, e mais recentemente em filmes Nárnia nos melhores cinemas das cidades. Outro dia, comprei o seu livro "Cristianismo Puro e Simples" na Livraria Cultura.
Que o Pai das artes, o Belo,
o Senhor de tudo e de todos, nos dê um festival de sabedoria e discernimento, diferentemente de tantos outros que nos oferecem apenas "Promessas".
Glauco Barreira Magalhães Filh  - Cristianismo e Universidade     |201.9.229.231 |30-01-2012 13:27:18
Prezados irmãos,
Gostaria de convidá-los a conhecer o meu blog universitário http://cristianismoeuniversidade.blogspot.com/

Em Cristo,
Prof. Glauco Barreira Magalhães Filho (Mestre em direito,
Doutor em Sociologia, Doutor em Teologia, Livre Docente em Filosofia, Professor da UFC)
Augusto Guedes  - Nada a ver     |189.77.93.254 |30-01-2012 18:19:17
Sim Glauco, mas o que isso tem a ver com o texto do Nelson Bomilcar? Desculpa, mas não acha que está divulgando o seu blog em lugar errado?
Everton Rabelo Cordeiro  - Semana da arte evangélica   |189.2.42.5 |13-02-2012 17:57:56
A sociedade festeja 90 anos da Semana de Arte Moderna e seus efeitos em nossa cultura tupiniquim. Quem sabe você, em meio a suas andanças possa detectar tantos artistas sem espaço e sem a coragem
necessária. Talvez, quem sabe pelo menos transmitir o vírus que te infectou na juventude e que tanto tem nos abençoado. Porque não um dia não podemos ter uma também uma semana de Arte, quem sabe
evangélica?
Forte abraço e parabéns pelo belo e corajoso artigo.
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Última Atualização ( 26 de janeiro de 2012 )
 
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