| Eu sou um homem de muitas mulheres |
| 22 de junho de 2008 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Eu sou um homem de muitas mulheres - mas uma só esposa. Alto lá, moralistas de plantão: nada de amantes, concubinas e, bem, os termos são muitos e cada um mais torto do que o outro. Falo de outro tipo de mulherenguice, substantivo que inventei pra descrever, como diria o Aurélio "o ato ou o efeito de ser mulherengo". Estou mais para a mulherenguice de Chico Buarque, que canta e se encanta com a poética feminina, com o eu-lírico das mulheres, do que com a mulherenguice de Salomão. Pronto! Vão dizer e comentar que defendo supostas relações adúlteras - reais ou platônicas. Nada mais falso. Sou um homem fiel. Mas amo muitas mulheres... Elisabeth Bishop, considerada um das mais importantes poetas do século XX a escrever na língua inglesa. Cecília Meireles, lírica linda, palavra mais ainda, Cecília, que, assim como eu, alguém (também) vivendo entre e as vocações da poesia e da educação. Mas sobretudo, antes de todas essa mulheres-poetas, Adélia Prado, como a chamou Drummond, "Adélia lírica, bíblica, existencial!"
Adélia, que me fez chorar um choro que eu já não sabia chorar quando li:
Eu sei que Paulo (1 Co 14.20 ) nos mandou crescer, "pensar como adultos, mas ter a capacidade de não ser malicioso - exatamente como as crianças" e Jesus ( Lc 18.17 ) nos recomendou" receber o Reino como crianças". O poema de Adélia me faz pensar em tudo isso, equilibrar as coisas, mesmo sendo tão curto e sem as pretensões da discussão teológica ou filosófica. Ah, Adélia, eu te amo! Adélia, que me me resolve a crise de ser pastor e ser poeta e ser educador ao pregar:
Adélia, que começou tarde - o primeiro livro foi aos 40 anos, que graduou-se em Filosofia e foi professora, mas desistiu de tudo isso pra criar e educar os cinco filhos! Eis um refrão: Adélia, eu te amo! E você era e é Adélia - nunca foste Amélia! Adélia, que me fez quase dizer Aleluia!, ao responder uma crítica de "obra missionária, por falar tanto do seu (amor a) Deus nos poemas e livros que escreve:
Adélia, que me dá lições sobre como falar com o coração mais do que com a lógica e a cabeça (e olha que os nossos teólogos precisam ouvir isso):
Adélia, prima-irmã do Salmista, meio-parente de Jó, sabe muito bem lamentar, orar a oração do que está triste ou desanimado na Alma (Sl 42 e 43 ), a buscar deseperadamente direção espiritual:
Adélia é uma tutora da minha (pequena) obra. Penso nela quando escrevo, a invejo quando componho canções, invejo o eco musical de seus poemas, sua moda concisa e bíblica de cantar. Quem conhecer Adélia, também a amará. Adélia é pastora - o seu rebanho são palavras. Sua congregação são poemas. Amém!
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